Por thiago.antunes

Rio - Na mesma intensidade com que o temporal desabou sobre o Rio, entre a noite de terça-feira e a manhã desta quarta-feira, os dramas de milhares de cariocas e fluminenses — ilhados, desabrigados e feridos — se multiplicaram pelo estado. Do homem que carregou nos braços a mulher grávida pelas ruas alagadas do Centro aos moradores de Nova Iguaçu, na Baixada, que ajudaram na busca pela vizinha desaparecida na enchente, todos têm uma história para contar do desespero para salvar vidas e pertences da inundação.

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Foi por pouco que a morte não interrompeu o sono do morador do Complexo do Alemão Fabio Ludugerio da Silva, 32 anos. Às 5h, pulou da cama com um barulho e, em poucos segundos, o imóvel inteiro desabou sobre ele, na localidade da Palmeira. Mesmo com a perna presa sob escombros, Fabio pulou para a casa da vizinha, que também desceu no deslizamento de barranco. Socorrido por moradores e policiais da UPP Palmeira, ele quebrou a perna.

Salvação%3A Débora com os filhos%2C Lana e Caio%2C foram resgatados em bote por voluntários na Rua Santa Maria%2C que ficou alagada em BonsucessoSeverino Silva

“Não sei explicar como sobrevivi a dois desabamentos. Acho que foi um milagre. Tive a sorte de nascer de novo”, desabafou ao retornar do hospital. Em Coelho Neto, na Zona Norte, subir no telhado não foi uma simples expressão: era o retrato do desespero de quem viu a água chegar quase ao teto das casas. Juan Pablo, 35, colocou a família no telhado e escreveu o número de seu celular usando roupas e lençóis.

“Fiz alerta desesperado por socorro. São 100 famílias aqui na rua na mesma situação. Queria que alguém visse e mandasse um bote para salvarmos os idosos”, pediu. Em 20 minutos, a enxurrada invadiu a casa da auxiliar de serviços gerais Débora Cristina da Silva, em Higienópolis, Zona Norte. Eram 5h30 quando ela foi se refugiar no segundo andar de outra casa com os dois filhos pequenos, de onde só saiu resgatada pelo caiaque de um vizinho.

Alan Soares é resgatado após casa desabar em Realengo%3A internadoFabio Gonçalves / Agência O Dia

“Meus filhos choravam muito. Já estava com a água na cintura, arrumei forças não sei de onde e carreguei os dois. Perdi tudo em casa, mas salvei meus bens mais preciosos, que são os meus filhos”.

Soldado morre no carro

Júlio Cezar Lima Barbosa, soldado da UPP Nova Brasília, não teve a mesma sorte de escapar da enchente. Ele passou mal dentro do seu carro, em Irajá, quando o veículo foi inundado. O policial estava perto do quartel dos bombeiros do bairro, que ainda tentaram salvá-lo, mas já o encontraram morto. 

Homens improvisam cordas para tentar resgatar moradores ilhados em enchente no bairro da Pavuna Tiago Lara / Povo do Rio / Agência O Dia

Um barranco deslizou e destruiu o banheiro da casa de Everton Rodrigues da Silva, 17 anos, na Fazendinha, no Complexo do Alemão. A terra atingiu ainda parte de imóvel ao lado. “Saímos correndo, com medo. A casa é própria, mas hoje (ontem) meu pai saiu para alugar outra casa. Não dá mais para ficarmos aqui”, contou. Parte da cada de Amanda Ramos também cedeu. Ela, a mãe e os irmãos deixaram o local. Três casas foram interditadas no local.

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