Por adriano.araujo, adriano.araujo
Rio - O corpo do idoso José Joaquim de Santana, de 81 anos, atingido por um tiro durante confusão entre moradores e policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Arará/Mandela será enterrado às 16h desta sexta-feira no Cemitério do Caju, na Zona Norte. A vítima corpo será velado na capela H.

Após morte de idoso, moradores de favela fecham via na Zona Norte

Cerca de 200 moradores do Complexo de Manguinhos fecharam, na noite desta quinta-feira, a Avenida Leopoldo Bulhões, em Benfica, Zona Norte do Rio, em protesto contra a morte do idoso Joaquim de Santana, 81 anos, baleado no rosto na comunidade Mandela II após um PM atirar para o alto durante uma confusão no local, na madrugada desta quinta.

Maria Lúcia mostra a carteira de trabalho do companheiro%2C José%3A dificuldade para liberar corpo no IMLFabio Gonçalves / Agência O Dia

Os moradores colocaram cadeiras, pedras e entulhos na via. Outras pessoas atiraram pedras em policiais militares que tentavam desobstruir a avenida. Muitos motoristas deram ré ao perceber a confusão. Por volta das 19h, a família do idoso anunciou que o corpo foi liberado. O presidente Antônio Carlos Costa, da ONG Rio de Paz, se prontificou a pagar os custos do sepultamento, mas informou que a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) se comprometeu com as despesas. "É um contraponto positivo para a tragédia que aconteceu", disse Costa.

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Após diversos momentos de tensão, policiais do Batalhão de Choque (BPChq) chegaram ao local por volta das 20h e lançaram bombas de gás lacrimogênio para dispersar os manifestantes. A via começou a ser liberada em seguida.
Casório estava marcado
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José Joaquim e Maria Lúcia, víuva do idoso, viveram juntos por nove anos, porém não eram casados, o que aconteceria em fevereiro. “Ele já havia escolhido o vestido que eu usaria no dia do casamento”, contou ela, abalada. De acordo com Lúcia, ela teve dificuldades para liberar o corpo no IML porque o carpinteiro não tinha família e eles ainda não eram casados no papel. O enterro ainda não tinha data e horário até a noite desta quinta-feira.
Antônio Carlos Costa, da ONG Rio de Paz, se prontificou a pagar os custos do sepultamento, mas informou que a UPP se comprometeu com as despesas do funeral. José Joaquim era potiguar e morava em Manguinhos há mais de 50 anos. Ele era aposentado, mas ainda trabalhava como carpinteiro no Centro do Rio. Ele e a mulher viajariam hoje para Belo Horizonte para passar as festas de final de ano na casa de uma irmã de Lúcia.
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Vídeo mostra confusão envolvendo PMs na Favela do Mandela

Um vídeo divulgado nesta quinta-feira pela ONG Rio de Paz mostra o protesto de moradores da comunidade Mandela II após o incidente. "O tiro partiu da polícia. Só não pegou em um casal porque o PM subiu a arma", disse a mulher da vítima no vídeo. As imagens também mostram o capitão Paulo Ramos, comandante da UPP Arará/Mandela, pedindo calma aos moradores da comunidade. No entanto, a explosão de uma bomba assusta a população.

Segundo a Coordenadoria de Polícia Pacificadora, o capitão Ramos já identificou o policial que fez o disparo que matou o idoso. Segundo a polícia, ele colocou a arma do PM à disposição para uma perícia. Ainda de acordo com a coordenadoria, policiais envolvidos na ocorrência ficarão afastados das funções operacionais até a conclusão do inquérito. Na confusão quatro policiais tiveram ferimentos leves, foram sorridos e passam bem.

O policiamento foi reforçado na comunidade nesta quinta-feira com efetivo de diversas UPPs da região. A polícia também intensificou a segurança nos principais acessos da Avenida Leopoldo Bulhões.
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