Por thiago.antunes
Rio - Cerca de 50 pessoas, entre parentes e amigos, compareceram na tarde desta sexta-feira ao enterro do carpinteiro José Joaquim de Santana, de 81 anos, no Cemitério do Caju, Zona Norte do Rio. José Joaquim foi atingido por um tiro durante confusão entre moradores e policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Arará/Mandela. Durante a discussão, um PM fez um disparo para o alto, que acertou a cabeça do homem, na madrugada desta sexta. A mulher de José, Maria Lúcia, com quem iria se casar em fevereiro, disse que vai lutar pelos direitos da vítima. "Justiça divina e justiça na terra, vou lutar pelos direitos dele, pois tiraram a vida do meu amor. O que resta agora é a saudade, disse, entre lágrimas.
Viúva diz que vai lutar por direitos de idoso%2C morto após confusão na comunidade do MandelaJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia
Durante a cerimônia, ela se emocionou muito e fez um discurso de despedida. “Que possam receber o José Joaquim muito bem aí em cima, pois ele era uma pessoa muito boa. É, Seu Zé, nosso amor acabou. Tome conta de mim”.

Um ônibus alugado levou moradores e amigos da vítima até o cemitério. Muitos cobraram projetos sociais p<CW-19>ara a área. “Não adianta só colocar polícia. Ela tem que ajudar o morador e não tirar a vida. Reclamam que alguns jovens usam drogas, mas não há uma atividade para estas crianças na favela”, cobrou uma moradora. O clima na região está tenso. “O morador está com medo”, disse a presidente de Associação de Moradores, Jaqueline de Paula.
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Até a hora do sepultamento, a família ainda passou por dificuldades. Somente por volta das 19h desta quinta-feira, a família do idoso anunciou que o corpo foi liberado do Instituto Médico Legal (IML). O presidente Antônio Carlos Costa, da ONG Rio de Paz, se prontificou a pagar os custos do enterro, mas informou que a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) se comprometeu com as despesas. "É um contraponto positivo para a tragédia que aconteceu", disse Costa.

Após morte de idoso, moradores de favela fecham via na Zona Norte

Cerca de 200 moradores do Complexo de Manguinhos fecharam, na noite desta quinta-feira, a Avenida Leopoldo Bulhões, em Benfica, Zona Norte do Rio, em protesto contra a morte do idoso Joaquim de Santana, 81 anos, baleado no rosto na comunidade Mandela II após um PM atirar para o alto durante uma confusão no local, na madrugada desta quinta.

Maria Lúcia mostra a carteira de trabalho do companheiro%2C José%3A dificuldade para liberar corpo no IMLFabio Gonçalves / Agência O Dia

Os moradores colocaram cadeiras, pedras e entulhos na via. Outras pessoas atiraram pedras em policiais militares que tentavam desobstruir a avenida. Muitos motoristas deram ré ao perceber a confusão. Por volta das 19h, a família do idoso anunciou que o corpo foi liberado. O presidente Antônio Carlos Costa, da ONG Rio de Paz, se prontificou a pagar os custos do sepultamento, mas informou que a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) se comprometeu com as despesas. "É um contraponto positivo para a tragédia que aconteceu", disse Costa.

Idoso foi atingido por disparo durante confusãoReprodução / Rio de Paz

Após diversos momentos de tensão, policiais do Batalhão de Choque (BPChq) chegaram ao local por volta das 20h e lançaram bombas de gás lacrimogênio para dispersar os manifestantes. A via começou a ser liberada em seguida.

Vídeo mostra confusão envolvendo PMs na Favela do Mandela

Um vídeo divulgado nesta quinta-feira pela ONG Rio de Paz mostra o protesto de moradores da comunidade Mandela II após o incidente. "O tiro partiu da polícia. Só não pegou em um casal porque o PM subiu a arma", disse a mulher da vítima no vídeo. As imagens também mostram o capitão Paulo Ramos, comandante da UPP Arará/Mandela, pedindo calma aos moradores da comunidade. No entanto, a explosão de uma bomba assusta a população.

Segundo a Coordenadoria de Polícia Pacificadora, o capitão Ramos já identificou o policial que fez o disparo que matou o idoso. Segundo a polícia, ele colocou a arma do PM à disposição para uma perícia. Ainda de acordo com a coordenadoria, policiais envolvidos na ocorrência ficarão afastados das funções operacionais até a conclusão do inquérito. Na confusão quatro policiais tiveram ferimentos leves, foram sorridos e passam bem.

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O policiamento foi reforçado na comunidade nesta quinta-feira com efetivo de diversas UPPs da região. A polícia também intensificou a segurança nos principais acessos da Avenida Leopoldo Bulhões.