Por adriano.araujo

Rio - É por amor à Medicina e pela crença em um serviço de saúde de qualidade que médicos reconhecidos internacionalmente desenvolvem suas carreiras em hospitais públicos do estado. Atualmente, o Rio conta com um grupo de dez profissionais que é considerado a ‘tropa de elite’ da Medicina. E cair nas mãos deles não é difícil, pois estão em várias unidades e em diversas especialidades.

Com experiência profissional no Reino Unido e nos Estados Unidos, o cirurgião ortopédico pediátrico Márcio Cunha bate ponto desde março no Hospital Estadual da Criança, na Vila Valqueire. Nos mais de 30 anos de carreira, garante que nunca se sentiu tão à vontade para trabalhar.

Márcio Cunha%2C cirurgião do Hospital da Criança%2C de Vila Valqueire%3A ‘Nossa equipe é 100% comprometida’Maíra Coelho / Agência O Dia

Ele diz que a unidade é diferente de qualquer hospital público, pois tem uma filosofia de gestão única. “Não falta material e nem médico. Nossa equipe é 100% comprometida”, afirma o cirurgião, que integra o corpo de profissionais, fruto de parceria público-privada entre o governo do estado e a Rede D’Or.

Na unidade não há fila de espera para fazer cirurgias. Somente no período da manhã, as quatro salas do hospital realizam, em média, 20 procedimentos cirúrgicos. “Quando digo que vou operar a criança imediatamente, os pais quase desmaiam porque não acreditam. Eles (os pacientes) não estão acostumados com tratamento digno”, diagnostica o cirurgião.

Reimplante

Após atender ao pedido do secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, que recebera há cinco anos no Hospital Adão Pereira Nunes, na Baixada Fluminense, uma menina de 9 anos com o braço amputado em uma máquina de lavar, o cirurgião João Recalde, com formação na França, tomou a iniciativa de criar um projeto na unidade dedicado ao reimplante.

Ele explicou que ficou frustrado quando se deu conta da carência de profissionais em reimplante na saúde pública. “Hoje, vejo o quanto é gratificante já ter realizado 400 cirurgias desde 2008 para o público que realmente precisa”, diz ele.

Se é gratificante para o paciente passar pelas mãos de médicos tão renomados, o mesmo também é sentido pelos profissionais. O neurocirurgião Paulo Niemeyer que o diga.

À frente da direção de Neurocirurgia do Instituto Estadual do Cérebro, ele tem orgulho em operar seus pacientes em um ambiente altamente tecnológico. “Temos um aparelho de ressonância magnética dentro do centro cirúrgico. Isso é inédito”, entusiasma-se Niemeyer, que contará com aparelho de radiocirurgia também inédito no Rio de Janeiro.

Ao alcance da população

?O neurocirurgião Paulo Niemeyer diz que está satisfeito por ter a possibilidade, no Instituto Estadual do Cérebro, de realizar cirurgias de alta complexidade. Ele afirma que nem consegue mensurar o custo dos procedimentos que são realizados por sua equipe na unidade pública de saúde, inaugurada em agosto deste ano, a um custo de R$ 80 milhões. O instituto fica na Rua do Resende.

Segundo Paulo Niemeyer, o preço do tratamento seria muito alto e inviável para pacientes que não contam com um plano de saúde.

“Por isso, antes da criação do instituto, muitos pacientes saíam do Rio para fazer o tratamento em São Paulo, onde a rede pública oferece este serviço.”

Já um reimplante de dedo feito pelo cirurgião João Ricalde não sai por menos de R$ 40 mil na rede particular, sem contar com os custos de internação. “Ainda não acreditam que existem estes serviços na rede pública”, conta Ricalde.

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