Por thiago.antunes

Rio - Uma quadrilha que aplicava golpe de falso sequestro de dentro de pres√≠dios do Rio foi desarticulada nesta segunda-feira, pela Pol√≠cia Civil. Os membros do grupo recebiam um treinamento especializado do chefe do bando, Rog√©rio Barboza, de 56 anos, que ensinava como enganar as v√≠timas. Em troca, o "professor" ficava com 30% do que era extorquido. De acordo com as investiga√ß√Ķes, a quadrilha chegou a receber dep√≥sitos de at√© R$20 mil de pessoas que acreditam que parentes haviam sido sequestrados.

Mulher está foragidaDivulgação

A investigação começou há três meses quando uma senhora registrou queixa na 6ª DP (Cidade Nova) após ser lesada em quase R$3 mil. A partir daí, os policiais grampearam celulares e conseguiram identificar a quadrilha, formada por 11 pessoas. Seis tiveram o mandado de prisão expedido e outras cinco respondem em liberdade. O Professor já cumpria pena em Bangu 2; Isaac Augusto Fontes das Neves, de 23 anos; Lauson Gomes Fontes, de 28; e Edmar Napoleão da Silva, de 31, que seria liberto nesta segunda, foram capturados na mesma cela do presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão. Eles já eram condenados com penas de até 43 anos, por crimes como latrocínio, homicídio e roubo.

A pol√≠cia tamb√©m prendeu Isabel Cristina Franca Benfica, de 38 anos, em Petr√≥polis. Ela era uma das envolvidas que cedida sua conta banc√°ria para que as v√≠timas fizessem dep√≥sitos. Em seguida, elas transferiam a quantia para contas determinadas pelos bandidos. Outras mulheres, todas namoradas ou esposas dos presos, tamb√©m cediam as contas banc√°rias. Uma das mulheres que cederam a conta banc√°ria √© uma suposta namorada de Isaac. Segundo o preso, ele conheceu a mulher atrav√©s de um bate-papo de mensagem instant√Ęnea.

Segundo o delegado Antenor Martins J√ļnior, titular da 6¬™ DP, um preso se passava por v√≠tima, inclusive imitando voz de mulher, enquanto outro preso fazia exig√™ncias. Elas eram: n√£o envolver pol√≠cia, n√£o desligar o celular e rasgar os comprovantes de dep√≥sito. Segundo contou, os investigadores conseguiram achar dois comprovantes em lixeiras de ag√™ncias banc√°rias. Os membros da quadrilha faziam uma esp√©cia de nepotismo cruzado. Quando um aplicava um golpe, o dep√≥sito era feito na conta da esposa de outro.

"As principais v√≠timas s√£o idosos e mulheres de meia idade. Os criminosos mudavam a quantia do golpe de acordo com o poder econ√īmico de cada v√≠tima. Com as festas de fim de ano, o ritmo de golpes aumentou para conseguir mais dinheiro", contou o delegado.

Ros√Ęngela Barboza Moura, de 39 anos, uma das envolvidas, est√° foragida. A Pol√≠cia espera que outras v√≠timas registrem queixa contra a quadrilha. Na cela do pres√≠dio Evaristo de Moraes, onde cerca de 60 detidos cumprem pena juntos, os policiais encontraram um aparelho celular e tr√™s chips. Mandados de busca e apreens√£o foram cumpridos na Vila Cruzeiro, Duque de Caxias, Petr√≥polis, Tr√™s Rios e S√£o Fid√©lis. A quadrilha tamb√©m j√° aplicou golpes em estados no Norte, Nordeste e em Minas Gerais.

'Escola' do crime

Dentro de uma das celas do pres√≠dio Bangu 2, Rog√©rio Barboza, o Professor, abriu uma escola profissionalizante do crime. Por celular, ele ensinava como a quadrilha deveria agir para extorquir dinheiro das v√≠timas do falso sequestro. Em escutas telef√īnicas feitas pela pol√≠cia, os bandidos seguiam um roteiro. Um bandido se passava pela v√≠tima e em seguida outro assumia a liga√ß√£o.

Quadrilha agia em presídiosFabio Gonçalves / Agência O Dia

No roteiro, um bandido deveria se passar pela v√≠tima e em seguida outra bandido assumia a liga√ß√£o. Ele deveria dizer que o parente havia sido roubado e estava no carro do sequestrador. Caso o dinheiro n√£o fosse depositado, a suposta v√≠tima levaria um tiro na cabe√ßa. A v√≠tima era obrigada a dizer quem estava em casa, em qual banco tinha conta e quanto de dinheiro tinha dispon√≠vel. Ap√≥s isso as negocia√ß√Ķes come√ßavam. A v√≠tima, nervosa, cedia a todas as exig√™ncias.

"O Rogério ensinava aos outros do bando porque viu que era mais fácil do que ele mesmo aplicar o golpe e ter que encontrar alguém que disponibilizasse a conta para fazer o depósito. Quando alguém do grupo concretizava o golpe, tinha que pagar 30% para o Rogério pela assessoria", contou o delegado Antenor.

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