Por adriano.araujo

Rio - Agentes da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav) prenderam, na manhã desta segunda-feira, um estudante universitário de Engenharia de Produção acusado de vender drogas para alunos do Colégio Pedro II, na Tijuca, Zona Norte. Ele foi preso em sua casa, no Estácio. 

De acordo com as investigações, iniciadas em outubro, Suetônio Xavier de Albuquerque, conhecido como Júnior, de 20 anos, vendia substâncias entorpecentes para os alunos na porta do colégio. O pai de uma aluna, menor de idade, encontrou droga no bolso da filha e relatou o fato para a direção do Pedro II, que acionou a polícia.

Estudante de Engenharia de Produção é preso acusado de vender drogas para alunos do Colégio Pedro IIDivulgação

Segundo o delegado Marcello Braga Maia, em depoimento à direção do colégio, a menor informou que conheceu Júnior em uma loja de doces na região por intermédio de uma amiga e que comprou a droga por curiosidade. A jovem pagou R$ 50 pela transação, que incluiu uma quantidade de maconha, cheirinho da loló e o transporte da droga, feito pela amiga.

Após o ocorrido, outras alunas do Pedro II denunciaram a ação do traficante no local e o repasse da droga no interior do banheiro do colégio, feito pela aluna de 16 anos. A jovem responde pelos atos infracionais análogos aos delitos de tráfico e associação. Através de fotos, alunos confirmaram se Júnior a pessoa que vendia drogas na porta do colégio.

Polícia não achou drogas na casa de Júnior, local onde ele foi detido

Júnior foi preso em casa, porém nada na residência dele foi encontrado. O delegado-titular da DCav, Marcello Braga Maia, disse que ele foi avisado por uma aluna que estava sendo investigado. “Se ele tinha alguma coisa em casa, com certeza, tirou de lá porque sabia que seria preso”, disse Braga. Segundo ele, Júnior foi monitorado durante as investigações.

O delegado contou que Júnior revelou ter conhecido a aluna, que era o contato dele dentro do Colégio Pedro II, na Tijuca, em um show de rock. Braga informou ainda que ela ameaçou os colegas da unidade se contassem sobre o esquema da venda de drogas no local. Segundo as investigações, além de repassar a droga dentro do colégio, a jovem também apresentava a Júnior vários alunos que queriam comprar drogas.

“Ela disse que se falassem alguma coisa ia colocar drogas nas mochilas de quem denunciasse Júnior. Mas vários estudantes reconheceram Júnior por foto na Dcav. Apenas essa estudante afirmou que não o conhecia”, contou o delegado. Júnior teve o mandado de prisão temporária de 30 dias expedido pela 28ª Vara Criminal da Capital, mas, antes, Braga vai pedir à Justiça a prisão preventiva de Júnior.

Comportamento dos filhos é pista para pais

Após a prisão de Júnior, Braga faz um alerta aos pais e às escolas. Segundo ele, a mudança de comportamento dos jovens pode ser sinal de que algo está errado. “Pais devem sempre acompanhar seus filhos de perto. Hoje em dia, eles quase não têm tempo porque trabalham fora, mas é preciso estar atento”, lembra ele. Aos professores ele avisa: “Um aluno que tem ótimas notas e começa a ter queda acentuada no rendimento escolar tem que ser observado. A escola deve chama-lo para conversar”, disse o delegado. 

Ele aconselha ainda aos responsáveis monitorarem as redes sociais. “Os adolescentes conversam muito por meio dessas redes e podem acabar revelando situações importantes”, analisou Braga. Sobre a segurança no entorno das escolas ele aconselha às unidades a ficarem atentas à necessidade de um patrulhamento. “Esse esquema do Pedro II dificilmente seria descoberto por patrulhamento normal porque não chama atenção. Mas as escolas devem se preocupar com a segurança no entorno dos colégios”, lembrou Braga.

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