Por thiago.antunes

Rio - Não bastasse a dor pela perda do próprio pai, os filhos de duas das 15 vítimas do acidente com o ônibus da Viação Nossa Senhora da Penha que despencou em ribanceira, domingo, na Rodovia Régis Bittencourt, em São Lourenço da Serra (São Paulo), não conseguiram sepultar os corpos. Nesta segunda-feira, a Secretaria de Segurança de São Paulo divulgou que o número de vítimas fatais subira para 16, mas corrigiu horas depois.

O enterro de Ademilde Guimarães Salles, de 60 anos, e Julio Cezar de Oliveira Salles, de 65, estava marcado para as 16h desta segunda. A empresa providenciou o traslado do corpo, mas não mandou o atestado de óbito, que foi substituído por uma declaração. Sem a documentação, o Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, recusou os corpos, e as famílias tiveram que recorrer ao plantão judiciário do Tribunal de Justiça para evitar que a funerária levasse os mortos de volta para São Paulo. “É um desrespeito com a família que já está sofrendo tanto”, desabafou a prima Cátia Sandra.

O segundo andar do ônibus foi completamente esmagado durante a queda em ribanceira de São Lourenço da Serra. Muitos passageiros seguiam para o Rio para passar o NatalEfe

Nesta segunda, a Polícia Civil paulista identificou Valéria Santos Leite, de 44, entre as vítimas fatais. Ela estava no boletim de ocorrência como ‘desconhecida’ porque não tinham sido encontrados documentos de identificação com a mulher. Doze passageiros do ônibus que viajava de Curitiba para o Rio ainda permanecem internados, um em estado grave.

Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres de São Paulo (ANTT), a viação deverá indenizar feridos e familiares das vítimas que morreram no valor de R$ 2,9 milhões, que serão divididos por todos. O supervisor da agência reguladora, Paulo Cesar da Silva, disse que a unidade também está acompanhando se a empresa está prestando o atendimento em relação as bagagens e acompanhamento nos hospitais. Segundo Silva, a empresa não é obrigada a cobrir gastos com transportes.

O órgão também fez perícia no local do acidente e constatou que a viação prestou atendimento de emergência no local. A ANTT afirmou que, se for atestado que houve falha humana ou mecânica, a viação poderá ser multada. Nesta segunda, 30 pessoas foram transportadas para Curitiba, a maioria familiares de João da Silva Lima, que será sepultado na cidade.

Dona Iara chora a morte do filho João Bittencourt%2C 33 anos. O neto de 7 anos sobreviveu à tragédia. Ela acredita que João deve tê-lo protegidoMaíra Coelho / Agência O Dia

Indiciado por homicídio

O delegado Renato Gonçalves Collete, da delegacia de Itapecerica da Serra (SP), trabalha com a hipótese de o motorista Oseas dos Santos Gomes, 56 anos, ter dormido ao volante antes de perder o controle do veículo. Ele disse em depoimento que, quando percebeu, o ônibus já estava caindo. Oseas teria trabalhado também na noite anterior e recebido 12 horas de descanso. O motorista foi indiciado por homicídio culposo, mas liberado depois de ter feito exames toxicológicos que deram negativo. 

Segundo o gerente da viação no Rio, Glicério Moro, 50 familiares foram atendidos pela empresa na Rodoviária Novo Rio, no domingo. Apesar disso, foi consenso entre parentes a falta de informações e as primeiras notícias sobre as vítimas chegaram no final da tarde, cerca de 14 horas após o acidente.

João Paulo (de verde) pulou da janela e se salvou no acidente Márcio Mercante / Agência O Dia

Vítima pulou da janela e se salvou

Além de Valéria Santos Leite, de 44 anos, morreram no acidente Jucinéia Justino Leal, de 42 anos, Regina Célia Nogueira Guimarães, 58, Nelício Mário Engel, 52, João Paulo Souza Lima, 23, João Paulo Quintanilha Cordeiro, 19, João da Silva Lima, 60, Ademilde Guimarães Salles, 60, Julio Cezar de Oliveira Salles, 65, Justa Lindamir dos Anjos, 55, Daniel Pinel de Souza, 60, Maria Aparecida Alves da Silva, 59, Erico Roberto Bittencourt, 30, Iva Pereira da Silva, Gimena Aranda e Marcos de Oliveira da Silva. Além disso, 33 pessoas ficaram feridas.

No domingo, os sobreviventes Maria Elisabeth Amaral de Souza Lima, de 60 anos, e o estudante de engenharia química, João Paulo Partelli Peccino, de 25 anos, que pulou da janela do ônibus, chegaram sem ferimentos no Rio.

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