Por thiago.antunes
Rio - Uma conexão do jogo do bicho Rio-Brasília começou a ser desmontada nesta quinta-feira pela Polícia Civil do Distrito Federal (DF), na operação batizada de Armadilha. Segundo as investigações, o principal elo dos contraventores da capital do país é César Andrade, o Cesinha, sobrinho de Castor de Andrade, já falecido e chefão da jogatina na década de 1990. Cesinha teria recebido entre R$ 200 mil e R$ 300 mil do bicheiro João Carlos dos Santos, nos anos de 2009 e 2010. Na ação de ontem, os policiais apreenderam R$ 2,7 milhões e dez mil dólares (R$ 23,6 mil), considerada a maior já realizada lá.

Seis acusados de envolvimento com o crime organizado foram presos e vasculhados 27 endereços por 200 agentes. “Vamos aprofundar as investigações em relação a César Andrade, com conexões também em outros estados, como o Rio. Pretendemos até fazer contato com a polícia carioca”, afirmou o delegado Fábio Souza, da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco), do Distrito Federal.

Polícia Civil fez sua maior apreensão na Operação Armadilha nesta quinta%3A R%24 2%2C7 milhões e 10 mil dólaresDivulgação

Para o delegado, outra ponta no esquema com o Rio seria o resultado dos jogos. “Há informações de que os sorteios do Rio também servem para Brasília. Os líderes do DF adquiriram know-how com os bicheiros do Rio nas apostas eletrônicas, com a utilização de máquinas, semelhantes às usadas para cartões de crédito e débito”, analisou Souza.

Segundo ele, outro foco da investigação é a lavagem de dinheiro. Os recursos arrecadados com o jogo eram investidos em empresas de fachada, como imobiliária e farmácia. Nos últimos meses, os grupos deixaram de incluir instituições financeiras, o que justificaria a quantidade de dinheiro apreendida. Bairros nobres e regiões periféricas do DF concentravam a jogatina. As apostas individuais variavam de R$ 0,50 a R$ 100.
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Na capital brasileira, apostas são feitas em máquinas como no Rio
Pela investigações da operação Armadilha, os bicheiros Hélio Alfinito e João Carlos dos Santos, apontados como os chefões da jogatina, dividiram Brasília nas regiões Norte e Sul. Além deles, foram presos Jerônimo Natividade, João Rufino da Silva, Leonardo Fernandes Lins e o PM aposentado William Fernandes de Moraes. Eles ocupariam funções importantes na hierarquia do jogo, como a contabilidade do dinheiro arrecadado e a administração do negócio ilícito.
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Segundo as investigações, Hélio dominava as regiões da Asa Sul, Núcleo Bandeirantes, Guará e Cruzeiro. Já João, que tem indícios de ligação com César Andrade, o Cesinha, seria o ‘dono’ das regiões da Asa Norte, Sobradinho, Planaltina e São Sebastião. “Eles evoluíram dos talonários para as máquinas de apostas, assim como já aconteceu há muito tempo no Rio de Janeiro”, avalia o delegado Fábio Souza, da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco).
Acusado de homicídios e sonegação
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Na Justiça, Cesar Andrade foi acusado de três homicídios em Angra dos Reis, mas teve a prisão preventiva revogada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2006. Há cinco anos, ele conseguiu outra vitória. O Superior Tribunal de Justiça determinou o trancamento da ação penal pelo crime de sonegação fiscal (Lei n. 8.137/90).
Ele seria um dos responsáveis pelos bingos Ilha Rio, Barra Mansa e Nova Iguaçu e foi denunciado pelo Ministério Público Federal junto com outros nove empresários, pelos crimes de apropriação indébita, formação de quadrilha, falsidade ideológica e sonegação fiscal.
Segundo investigações, os maiores redutos de Cesinha seriam na Costa Verde.
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