Por thiago.antunes
Rio - Cidade-sede das Olimpíadas de 2016, o Rio de Janeiro foi sacudido ao longo do ano por série de manifestações. Dois mil e treze entrou para a história como o ano em que milhares de pessoas tomaram as ruas da cidade para protestar por melhores condições de vida. O movimento que começou pacífico se tornou violento. Com apoio dos grupos Anonymous e Black Blocs nas redes sociais, jovens transformaram o Centro do Rio em praça de guerra. A Cidade Maravilhosa ganhou tapumes para tentar se proteger do caos, entre junho e setembro.
Mais de um milhão protestou no CentroSeverino Silva / Agência O Dia

Lojas amanheceram depredadas e produtos eram saqueados por grupos radicais. A polícia endureceu e centenas pararam atrás das grades. Acuados pelos confrontos, cariocas abandonaram os protestos e mudaram a rotina. Antes disse, em janeiro, o estado foi castigado pelas chuvas. Em Xerém, a região mais atingida na Baixada, o cantor Zeca Pagodinho foi para a rua ajudar os desabrigados. No mesmo mês, o governo do estado cedeu às pressões sociais e recuou da intenção de demolir o prédio do antigo Museu do Índio, no Maracanã.

Em sua primeira viagem após assumir o pontificado%2C Papa Francisco chegou ao Rio%2C em julho%2C para conduzir a Jornada Mundial da Juventude. Por onde passou%2C emocionou Carlos Moraes / Agência O Dia

Em fevereiro, uma trégua permitiu aos cariocas curtir a folia e festejar o bicampeonato da Vila Isabel. No mês seguinte, as águas de março mataram em Petrópolis e causaram destruição em Duque de Caxias. Na capital, manifestantes invadiram a Aldeia Maracanã, no antigo Museu do Índio, e foram retirados à força. Motoristas fugiram de bombas de gás na Avenida Presidente Vargas. Em abril, a imprudência de um motorista e de um passageiro matou nove pessoas na queda de um ônibus do Viaduto Brigadeiro Trompowski, no acesso à Avenida Brasil pela Ilha do Governador.

Dois meses depois, o Movimento Passe Livre fez manifestação histórica contra o aumento das passagens de ônibus, levando mais de 300 mil pessoas à Avenida Rio Branco. No final da passeata grupo depredou a Alerj. Manifestantes acamparam em frente à casa do governador Sérgio Cabral. Os protestos se espalharam pelo Brasil.

Os governos cancelaram reajustes de tarifas de ônibus. No mês seguinte, o Rio recebeu de braços abertos o Papa Francisco, em sua primeira viagem internacional, e milhares de fiéis para a Jornada Mundial da Juventude. No feriado da Independência, novos protestos levaram à prisão 77 pessoas que tentaram invadir a parada militar na Presidente Vargas.

Em agosto, professores municipais iniciaram greve e tomaram as ruas. Receberam o apoio dos Black Blocs, depois que PMs usaram a força para retirar 200 mestres que haviam ocupado a Câmara de Vereadores. Dois meses depois, a Câmara aprovou projeto para a Educação do prefeito Eduardo Paes, rejeitado pela categoria. A Casa foi cercada e o Centro foi tomado pela violência. Prédios depredados, lojas destruídas e ônibus queimados.

Implosão um trecho de pouco mais de um quilômetro da Perimetral%2C em novembro%2C foi o primeiro passo da derrubada completa do Elevado%2C que deverá ser concluída em 2014Divulgação

No dia 25 de outubro, terminou a greve de 79 dias dos professores. Em novembro, primeiro trecho de um quilômetro da Perimetral foi implodido como parte da revitalização da Zona Portuária, que ganhou uma nova via expressa, a Binário do Porto. Essa e outras obras serviram para testar a paciência da população. Quase fechando o ano, fortes chuvas voltaram a causar estragos na Baixada. Como todo ano.

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