Menina, tio e vizinho morrem afogados em canal de Santa Cruz

Homens tentaram salvar a garota de 12 anos no Canal de São Francisco e também foram vencidos pelas águas

Por O Dia

Rio - O banho nas águas do Canal de São Francisco terminou em tragédia na tarde de sábado, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. A menina Lorrane Oliveira, 12 anos, estava acompanhada de um casal de tios e de cinco primos quando se afogou, por volta de meio dia. O tio e um vizinho se jogaram na água, tentando salvá-la, mas acabaram morrendo também.

Aline Gomes Pacheco ficou desolada quando os bombeiros localizaram o corpo do marido%2C Geovan%2C que tentou salvar a sobrinha da correnteza Futura Press

Ao ouvir os gritos de socorro da menina, o tio, Geovan de Oliveira, 36, entrou na água para resgatar a sobrinha, mas não conseguiu. Em seguida, o motorista Adilson Nogueira, 39, vizinho da garota, que passava de carro pelo local, também tentou socorrer os dois, mas acabou perdendo a vida.

Os bombeiros foram acionados na mesma hora, mas os corpos de Lorraine e de Nogueira só foram localizados com o auxílio de mergulhadores por volta das 18 horas de sábado. Após quase seis horas de agonia à espera da localização dos corpos, as famílias ficaram em estado de choque.

O avô de Lorrane e pai de Geovan, Francisco Oliveira, 63, contou que, apesar do perigo, o filho tinha o costume de nadar naquele lugar. “O rio é muito perigoso, todo ano tem morte. Mesmo assim, ele nadava bem e sempre tomava banho lá. Minha filha (mãe de Lorrane) está desolada”, desabafou. Geovan tinha sete filhos, todos menores. O corpo dele só foi localizado na manhã de domingo.

Lorrane foi enterrada no início da tarde de domingo no Cemitério de Santa Cruz. Já o funeral do tio será hoje, no mesmo lugar. O vizinho, Adilson, foi sepultado às 17h no cemitério Jardim de Mesquita, na Baixada Fluminense.

O clima era de muita comoção no velório dele. De acordo com parentes, Adilson estava voltando de Bonsucesso e ia passar em casa antes de ir para o trabalho. Tanto ele quanto a família Oliveira moravam no Conjunto São Fernando, em Santa Cruz. “São 16 ruas onde todo mundo se conhece”, afirmou Francisco Oliveira.

A família e os amigos de Adilson Nogueira buscavam consolo em sua conduta: “Foi um ato de heroísmo. Ver o rio do jeito que é e, mesmo assim, tentar salvar a vida de uma criança foi uma atitude que mostra quem ele era ”, disse, emocionado, o cunhado Júlio César Albuquerque. 

Com apenas um pulmão, motorista tentou ajudar

Adilson Nogueira era motorista e prestava serviços à CSA. Solteiro e sem filhos, sua vida se dividia entre o trabalho, a família e a paixão pelo Flamengo.

O cunhado dele, Júlio César Albuquerque, 44, contou que a família acredita que ele deve ter se sensibilizado com os gritos da menina Lorrane.

Ao reconhecê-la, ele, imediatamente, parou o carro e entrou na água para ajudar. Nogueira sequer se preocupou com a própria saúde. Devido a uma doença na infância, ele só tinha um pulmão. O motorista só não sabia que ali a profundidade do rio chega a 10 metros e a correnteza estava muito forte.

Os parentes contaram que ele chegou a levantar a menina quatro vezes da água para tentar retirá-la do rio, sem conseguir completar o resgate. Quando os corpos foram encontrados, Nogueira ainda abraçava Lorrane.

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