Rio de Janeiro: Da piscina do Fasano à laje no morro, o ‘enterro dos ossos’

Cariocas reúnem amigos e parentes para manter tradição de aproveitar o que sobrou da ceia

Por O Dia

Rio - O primeiro dia do ano não foi só de ressaca da virada do ano. O sol forte, o calor de quase 40 graus e as praias cheias fizeram a diversão de muita gente. Já o almoço, para alguns, foi mais leve, regado a frutos do mar e frutas. Para outros, foi de sobras da ceia do Réveillon.  A socialite e advogada Narcisa Tamborindeguy, 47 anos, passou o dia de ontem comendo lagosta e bacalhau no almoço e terminou o dia consumindo frutas.

Socialite e advogada Narcisa Tamborindeguy recupera as energias com água de coco%2C no ArpoadorAndré Mourão / Agência O Dia

“Depois de uma virada de ano dançando na beira da piscina do Copacabana Palace, o dia de hoje (ontem) foi bem mais tranquilo. Depois de oferecer rosas a Iemanjá, passei o dia na beira da piscina do hotel (Fasano), no Arpoador, à base de frutas”, relatou a socialite, dizendo ainda que pretende se candidatar a um cargo político neste ano. “Pretendo me candidatar a deputada federal”, planeja Narcisa, que não revelou detalhes sobre por qual partido concorreria. 

Já para a família do açougueiro Cícero Neto, de 51 anos, o dia foi na laje de sua casa no Morro Santa Marta, em Botafogo, regado a banho de mangueira e sobras da carne de churrasco da noite anterior. Foi o que ele chamou de ‘enterro dos ossos’ da ceia de Ano Novo.

O açougueiro Cícero Neto dá o golpe final no churrasco do dia 31 com os amigos%2C no Morro Santa MartaAndré Mourão / Agência O Dia

“Já virou tradição. Como aqui de cima dá para ver parte dos fogos de Copacabana, toda a família se concentra na laje para ver os fogos, à base de muito churrasco. No dia seguinte é fazer o enterro dos ossos do que sobrou”, relatou o açougueiro, enquanto servia carne para o amigo, o agente de segurança Luiz Cláudio Mello, de 44, e a cunhada, a doméstica Márcia Chagas, 47.

Menos lixo

A Riotur estima que cerca de 760 mil turistas estiveram na festa de Copacabana. Isso teria gerado uma renda vinda do turismo de R$ 1,22 bilhão. Apesar da multidão na praia, este ano, a quantidade de lixo gerada foi 9,45% menor que no ano passado. Foram removidos, de acordo com a Comlurb, 369 toneladas de resíduos. A limpeza do maior Réveillon do mundo foi feita por cerca de 1,5 mil garis e trabalhadores, com apoio de 67 veículos na primeiras horas do dia.

Também houve queda no número de atendimentos médicos. Foram 889 pacientes neste ano que precisaram de socorro. No ano passado, foram 1.162 pessoas, o que mostra um redução de 23%. Ao todo, 226 profissionais atuaram no serviço de saúde. 

Longas filas para os banheiros 

O número de banheiros químicos em Copacabana não foi suficiente para atender à demanda de 2 milhões de pessoas. As filas para utilizar os sanitários eram longas, e muitas pessoas fizeram xixi na rua, o que deixou pontos do bairro com mau-cheiro. “Fiquei 40 minutos na fila do banheiro e quase perdi os fogos. A maioria das pessoas estava fazendo as necessidades na praia e na rua, para fugir da fila. As cabines também estavam muitos sujas”, disse a manicure Daniela Dias, 25. Outra reclamação do público é que não havia fila preferencial para idosos, grávidas e portadores de necessidades.

Também houve queixa sobre a falta de informação nas estações de metrô e a longa distância dos pontos de ônibus, que demoravam para passar na Praia de Botafogo.

TRANSPORTE

Demora para voltar da festa 

Na volta para casa, um martírio. A publicitária Ingrid Martins, 26, contou que esperou duas horas. Na primeira tentativa, às 5h, ela disse que os ônibus estavam lotados e nem paravam nos pontos. “Cheguei a dormir na praia para dar a hora de o metrô iniciar o expediente normal. Foi a solução, pois, às 6h50, embarquei e voltei até sentada. Os ônibus ainda estavam abarrotados.”

Apesar dos problemas, a avaliação do esquema de Réveillon foi positiva, segundo o secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osorio. Ele disse que a saída do público ocorreu mais rápida que no ano anterior, o que permitiu que a prefeitura antecipasse a reabertura dos acessos a Copacabana. Osorio também destacou que a espera foi de 12 minutos, em média, nos terminais .
Segundo ele, quem esperou horas foi porque estava em pontos errados e não seguiu as orientações da prefeitura. A secretaria lacrou 32 táxis. Oito motoristas foram flagrados fazendo cobrança no ‘tiro’, e um veículo pirata foi apreendido por transporte irregular de passageiros. 

Colaborou Amanda Raiter

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