Por tamyres.matos

Rio - Por algum motivo, o Rio marca as pessoas. Conhecer a capital carioca é uma experiência. Boa ou ruim, mas com certeza inesquecível. A avaliação final vai depender da profundidade que o turista quiser dar a sua aventura.

A produtora de cinema Lili Machado, 35 anos, é daquelas que se intitula “veterana” em “turistar” pela cidade. Gaúcha de Porto Alegre, já passou férias no Rio quatro vezes. “Eu me apaixonei por tudo”, confessa ela.

E, quando ela diz tudo, é tudo mesmo. Até um samba em meio a previsão de temporal. Na segunda-feira, Lili resolveu conhecer a roda de samba da Pedra do Sal, reduto de cultura afrobrasileira na Zona Portuária. Era perto das 20h quando o grupo pegou um ônibus em Laranjeiras. “Mas no meio do caminho veio o toró”, contou ela, em bom gauchês.

Noruegueses, os Fatland se divertem com o inusitado, que é comum no RioJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Sem pestanejar, as amigas mantiveram o programa e, ao descer no Centro, embarcaram em um táxi. Distraída, Lili não fechou a porta do carro direito e, na primeira curva, a porta abriu.“Estiquei o braço e puxei a porta de volta com o motorista olhando espantado”, lembrou.

Ao chegar ao lugar, viram que o show estava ameaçado pela chuva que já inundava parte da região. Até um toldo do local se rompeu. O grupo, sem opção, decidiu esperar. E, como no Rio tudo pode acontecer, 30 minutos depois, surgiu na rua o bloco de Carnaval Bela Prata. Não houve o samba tradicional, mas o grupo animou o público até de madrugada.

E, mesmo quando a atração turística é do roteiro padrão, é preciso ter a paciência das gaúchas. Ir ao Pão de Açúcar, por exemplo, é um desafio nesta época do ano. Tanto pelo calor, como pelo grande número de turistas.
Uma combinação perfeita para um “barraco”. Ao encarar a fila de uma hora e meia para comprar os bilhetes do bondinho, a família norueguesa Fatland conheceu o significado da expressão comum aos cariocas.

A estudante Elen Fatland, 25 anos, esperava na fila com a mãe e o irmão quando 15 pessoas decidiram passar à frente dos demais. Um brasileiro que ficou para trás e carregava a filha de colo protestou contra a atitude. Mas tudo o que ouviu do grupo foi um grito: “O Rio é assim. Aqui pode”.

Parte dos ‘furões’ se arrependeu e voltou ao lugar original. Chateada, a estudante começou a falar com a família em norueguês, o que irritou alguns furões atrás dela. “Vocês estão falando da gente que eu sei”, disse uma mulher a Elen.

Mesmo assim, as situações não tiraram o ar de fascinação sobre a cidade. “Na Noruega, nada acontece nunca. Aqui tudo acontece e ao mesmo tempo. É incrível”, disse Even Fatland, irmão de Elen.

Piada árabe-israelense que não colou

Em sua visita, a norueguesa Elen Fatland ainda presenciou o princípio de uma crise internacional. Dia desses, em um passeio, ela sentou com o namorado em um restaurante árabe de Copacabana que fica ao lado de um estabelecimento judeu.

Um carioca quis bancar o engraçadinho e soltou uma direta para o dono no balcão: “Só no Brasil um árabe tem restaurante ao lado de um israelense sem que bombas explodam diariamente”.

Marroquino, o dono tremeu de raiva com o comentário do cliente e devolveu: “Você acha que jogamos bombas em Israel? É isso que você pensa?”

O brasileiro, sem graça, nem respondeu e saiu comprando a loja toda. Foi embora mudo. A norueguesa assistiu a tudo e, receosa, também comeu seu Kebab rapidinho.

Um tropeço que até Renato Gaúcho admirou

Como o Rio é a cidade onde moram artistas, cantores e esportistas famosos, a possibilidade de encontrar um na rua anima qualquer turista. Mas também há os casos em que são os famosos que não esquecem os turistas.

Na quinta-feira passada, as gaúchas Lili Machado e Jerusa Mocelin caminhavam pela Rua Vinícius de Moraes em Ipanema tentando pegar um táxi.

As duas tinham ficado na praia até o sol se pôr. Antes de ir embora, Lili quis apresentar alguns bares da rua, points do Carnaval, às amigas. Pouco depois que o grupo passou pelo Garota de Ipanema, a produtora de cinema viu o técnico do Fluminense e ex-Grêmio, Renato Gaúcho, sentado numa mesa em um dos bares.

Quando girou o corpo para avisar às amigas da descoberta, Lili tropeçou em uma mesa e uma cadeira de ferro que estavam na calçada. Ela caiu e ainda derrubou tudo.

A confusão foi tamanha que o barulho da queda e o riso das amigas chamaram a atenção de todos os que estavam no bar, até do técnico. “Só queria dizer que vi o Renato Gaúcho”, disse Lili, ainda caída no chão.

As amigas, gargalhando, responderam: “Sim. Eu percebi e até ele está olhando agora para cá”, apontou Jerusa.

Sem graça, as garotas levantaram a amiga do chão e foram embora. “Sou colorada, mas ele é uma beleza”, suspirou a produtora de cinema.

Expectativa é da chegada de mais de 3,2 milhões de turistas até março

A Secretaria Municipal de Turismo do Rio prevê que até o fim da temporada de verão, que vai de dezembro de 2013 a março de 2014, 3.256 milhões de turistas passem pela capital carioca. Com eles, há expectativa de uma renda de US$ 2,605 bilhões. Na temporada passada (2012-2013), 3.192 milhões visitaram o Rio e deixaram US$ 2,363 bilhões na cidade.

A expectativa para o Carnaval também é otimista: a prefeitura estima que 918 mil pessoas estarão na cidade para curtir os desfiles da Marquês de Sapucaí ou os blocos de ruas. A economia da cidade contará com a entrada de US$ 734 milhões oriundos do turismo, enquanto no Carnaval de 2013 foram US$ 665 milhões gerados por 900 mil turistas.

No Réveillon, estima-se que o número de turistas tenha chegado a 767 mil pessoas. O número é superior aos 752 mil que vieram curtir o último Ano Novo carioca. A cidade ainda deve receber um alto número de visitantes a partir de junho, com o início da Copa do Mundo. O Rio de Janeiro sediará jogos desde a primeira fase, além da grande final.

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