UPPs ganharão R$ 13 milhões

Verba da prefeitura será usada para construir e reformar sedes em várias comunidades

Por O Dia

Rio - A Prefeitura do Rio vai desembolsar cerca de R$ 13 milhões para arcar com a despesa da reforma de oito e a construção de três bases definitivas de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). A decisão do município de gastar com as obras surgiu após o empresário Eike Batista romper com o governo do estado o convênio no qual doava R$ 20 milhões, por ano, para o projeto. As licitações para escolher as empresas que vão fazer as intervenções estão previstas para ocorrer entre os dia 2 e 25 do mês que vem.

Os detalhes foram publicados no Diário Oficial do Município no dia 30. Muitas unidades funcionam em contêineres e estão sucateadas, o que provoca a insatisfação de muitos policiais.

Morro do Turano%2C na Tijuca%2C deixará de ter contêineres para receber sedes definitivasUanderson Fernandes / Agência O Dia

Do total que sairá da prefeitura, R$ 5,020 milhões serão destinados à construção de uma sede definitiva para os policiais militares na favela da Vila Cruzeiro e para reparos nas bases da comunidade da Chatuba e do Morro da Fé, no Complexo da Penha. De acordo com a Riourbe, responsável pela concorrência pública, os locais foram escolhidos pela Secretaria de Segurança Pública.

Também vão ganhar bases novas a UPP do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, e uma na região do Estácio. E na lista de reformas na estrutura física estão ainda as unidades do Turano, na Tijuca; Parque Proletariado, na Penha; Chapéu Mangueira/Babilônia, no Leme; e Dona Marta, em Botafogo. As obras devem durar de quatro meses a um ano.

O convênio que Eike cancelou começou em 2010 e estava previsto para ir até este ano, às vésperas da Copa do Mundo. A verba seria usada para construção da sede para os PMs, compra de equipamentos e treinamento de efetivo. A prefeitura já é a responsável por fazer o pagamento do bônus extra no salário dos policiais que atuam em áreas pacificadas.

Município movimentou R$ 1,5 bilhão

Reformar as UPPs não é o único suporte que a prefeitura dá ao governo do estado para manter o projeto de pacificação em andamento. O município conseguiu que fosse movimentado R$ 1,5 bilhão nas comunidades tomadas por forças de segurança entre 2009 e junho do ano passado.

Implementada pela prefeitura, a chamada UPP Social, feita em conjunto com a ONU Habitat, beneficia cerca de 540 mil pessoas que moram em 46 áreas pacificadas. O município se compromete a entrar com serviços básicos, como coleta de lixo, reparos na iluminação, rede de esgoto e calçamento, onde até então eram áreas dominadas pelo tráfico.

Já na Maré, próximo conjunto de comunidades a ser ocupado pela polícia, a prefeitura já adiantou que vai construir um complexo escolar modelo, com ensino integral.

Acordo de cooperação com os Estados Unidos

A Secretaria de Segurança Pública do Rio, em parceria com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês), vai criar um grupo de trabalho para planejar e elaborar um documento em que vai sistematizar o programa de implantação de UPPs.

De acordo com a secretaria, ‘esse material pode ser difundido a outros países’. O projeto não terá nenhum custo para o governo, porque trata-se de um acordo de cooperação com o governo dos Estados Unidos.

No ano passado, o presidente da Bolívia, Evo Morales, expulsou a Usaid do país, sob a alegação de que o órgão conspirava contrário ao seu governo. Ele também acusou a agência de financiar grupos que se opunham à gestão dele.

Últimas de Rio De Janeiro