Por tamyres.matos

Rio - Dois dias depois de O DIA denunciar que traficantes do Comando Vermelho controlavam dois lixões clandestinos no entorno do antigo Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a Polícia Militar fechou um deles, na manhã de ontem. Com a chegada da polícia, traficantes fugiram pela mata, abandonando um carro roubado que, segundo a PM, pertence a um funcionário da Câmara de Vereadores do Rio.

Cerca de 400 toneladas de detritos foram retiradas dos pontos mais cheios do vazadouro. A operação envolveu 45 homens do 15º BPM (Caxias) e 16 da Polícia Militar Ambiental, além do secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc; do prefeito Alexandre Cardoso, e do chefe da Coordenadoria Integrada de Combate a Crimes Ambientais (Cicca), coronel José Maurício Padrone.

Operação envolveu 45 homens do 15º BPM (Caxias) e 16 da Polícia Militar Ambiental. Na chegada da polícia%2C bandidos fugiram pela mataFabio Gonçalves / Agência O Dia

Os bandidos cobravam em torno de R$ 80 por despejo irregular de resíduos. O valor é bem menor do que o cobrado pelo despejo de resíduos extraordinários, gerados por hospitais e pela construção civil, que, segundo Minc, pode chegar a R$ 400.

O prefeito de Caxias classificou como “inescrupuloso” o empresário que se alia ao tráfico e destroi a área de conservação ambiental. “O problema já existia há muito tempo. Mas, com a participação do tráfico, revelada pelo DIA, dificulta mais nossa ação”, comentou Cardoso. Ele afirmou ainda que apresentou projeto no valor de R$ 40 milhões para a urbanização do bairro ao governo federal. A área, segundo ele, pertence à União e não seria de sua responsabilidade.

Segundo Minc, há ainda 140 galpões ilegais e outros cinco lixões clandestinos. O maior, mostrado pelo DIA, continua funcionando. Nem prefeitura nem estado souberam precisar o prazo para o fechamento dos outros lixões. O prefeito garantiu, porém, que em seis meses serão instaladas guaritas nas entradas no bairro para controlar o acesso dos caminhões com lixo. Minc anunciou que, em breve, entregará o projeto Gramacho Sustentável e o segundo pólo de reciclagem, financiados com lucro gerado pela usina de biogás que funciona no local.

Prefeito diz que culpa é da União

Cerca de 400 toneladas de detritos foram retiradas por funcionários da prefeitura. Segundo agentes%2C havia até lixo químico e hospitalarFabio Gonçalves / Agência O Dia

É difícil achar o responsável pelo controle da ocupação das margens da Baía de Guanabara, onde, hoje, estão os lixões clandestinos, no Jardim Gramacho e que, outrora, eram áreas de manguezal.

“Por lei, cabe às prefeituras essa ordenação. Mas há exceções”, lembra o professor de Direito da UFRRJ, Ricardo Tonassi. E é numa delas que se agarra o prefeito de Caxias, Alexandre Cardoso, ao se defender das notificações da Infraero sobre o risco dos lixões à segurança aérea do Aeroporto Internacional Tom Jobim, como revelou nesta quarta O DIA.

“A Infraero tem que notificar o governo federal, já que a área é de responsabilidade da União”, disse. A Polícia Federal não foi comunicaae sobre a operação.

Catador reclama

Fechamentos de lixões são criticados pelo coordenador de Comunicação do Movimento dos Catadores do Rio, Alexandre Freitas. “É da coleta de material reclicável que vivem centenas de catadores”, disse. Segundo Freitas, não há ações que ofereçam alternativas ao trabalhador. Na entrevista ao DIA antes da operação de ontem, ele reclamou da falta de criação de polos de reciclagem na cidade.

“Só fizeram um e que não garante o emprego a todos os catadores da região. São apenas 120 atuando lá. Do que vai viver o trabalhador? Não temos onde recorrer.” Segundo ele, esta “foi a única promessa da época do fechamento do antigo aterro que saiu do papel. E já se passou um ano e meio”. Na época, lembra, havia cerca de 1.500 pessoas trabalhando na área. Ele reclama que em vez de criar uma escola técnica, fecharam a que existia.” O prefeito Alexandre Cardoso disse que a escola foi fechada por falta de aluno.

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