Asfalto de má qualidade pode explicar ‘rali urbano’ no BRT

Para conselheiro do Crea, situação do via denunciada pelo DIA nesta quinta, com 270 remendos em 31 quilômetros, é compatível com pista rodada há mais de 10 anos

Por O Dia

Rio - O desgate em que se encontra a pista do BRT condiz com uma pavimentação que tem entre 10 anos e 15 anos de uso. Para o engenheiro civil Manoel Lapa, do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), o quadro de depreciação do asfalto não é normal para uma obra com tão pouco tempo — apenas um ano e meio —, e a explicação pode ser a qualidade do material aplicado. Nesta quinta, O DIA mostrou que o asfalto do corredor Transoeste tem nada menos que 270 remendos num trecho de 31 quilômetros — do Terminal Alvorada até Santa Cruz.

“Eu diria que há uma coisa errada em relação ao pavimento. Pode ser a qualidade do material, a quantidade, que pode ter sido mal dosada para a carga que ele iria suportar (ônibus articulados e biarticulados), ou a execução. Fato é que esse desgaste prematuro não era para acontecer”, afirmou o conselheiro.

No Terminal Alvorada%2C passageiros reclamam que buracos na pista causam transtornos durante a viagemUanderson Fernandes / Agência O Dia

Há reparos no asfalto inclusive no Túnel da Grota Funda, anunciado pela prefeitura como o que tem o maior número de inovações tecnológicas do Rio. Quem passa por lá percebe que há seis remendos na pista. Tanta trepidação já rendeu às gigantes da Transoeste o apelido de ‘rali urbano’.

O gesseiro Marcos Vinícius Nunes, de 23 anos, já passou por situações constrangedoras por causa dos buracos. “Outro dia, estava em pé e caí no colo de uma pessoa que estava sentada. Fizeram as obras às pressas e agora ficam remendando a pista”, afirmou ele, que usa diariamente o sistema BRT.

A doméstica Nilmara Monteiro, 44, contou que já presenciou uma cena que quase terminou num acidente grave, por causa das declinações no asfalto. “Vi uma senhora se desequilibrando, que quase caiu no chão quando o ônibus passava perto da Estação Mato Alto. Todo o dinheiro que estão gastando nessas obras de reparo poderia ser investido em saúde e educação”, reclamou.

O BRT custou R$ 1 bilhão. Os reparos na pista estão sendo feitos com dinheiro público porque a garantia da obra já acabou. A prefeitura não soube informar quanto gasta com as reparações nos pavimentos.

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