Por thiago.antunes

Rio - Apenas quem passou pela dor profunda da decepção com alguém e conseguiu superar é capaz de ter noção do quanto de empenho interior é preciso para perdoar, embora, em reflexões anteriores, tenhamos chegado à conclusão de que para conceder perdão é necessário simplesmente um ato de vontade. Isso porque, até que a nossa razão e emoção se dobrem a essa verdade, há todo um processo de abandono a Deus e também de cura dentro de nós.

Para além dessa ação de Deus no nosso interior, quando nos dispusemos a perdoar, exatamente no momento de dor que enfrentamos, existe ainda uma graça para a nossa vida — que é o que nos lembra a ‘Oração da Paz’, mais conhecida como Oração de São Francisco: “É perdoando que se é perdoado.” Deus nos perdoa sempre. Ele não esquece o bem que fazemos. E não dá para negar que perdoar alguém é um ato de caridade, por meio do qual a gente reconhece que o outro é tão falho e limitado quanto nós. Deus honra isso na nossa vida.

Quando eu e você erramos, se reconhecemos, ficamos com uma sensação tão ruim, não é mesmo? E quantas vezes erramos e nem nos damos conta! Ou mesmo enxergamos as coisas por um outro prisma e deixamos de lado pontos de vista diferentes, ferindo outras pessoas...

Mas será que você já parou para pensar que quando alguém erra conosco o sentimento dessa pessoa também é igualmente ruim? Que ela também nem sempre se dá conta do que fez, ou apenas enxerga de forma diferente da nossa?... É claro que, infelizmente, há também quem faça o mal contra nós de propósito, por querer. Mas não será a limitação do coração de alguém assim ainda mais merecedora de um testemunho autêntico de amor, que emane do perdão?

Veja: “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também.” (Lc 6,36-38).

A experiência de se sentir perdoado é restauradora. Porque, acima de tudo, ela é uma experiência de amor. E se eu preciso dessa experiência e tenho direito a ela, o meu irmão, que é tão pecador quanto eu, também precisa e tem o mesmo direito. Se eu e você erramos tanto e Deus, em sua infinita misericórdia, nos perdoa...

Acredite: é possível continuar a amar quem nos feriu. A dor pode até nos afastar desse alguém, mas não nos impede de continuar amando: essa é a verdade que precisamos reconhecer, porque está oculta ao mundo. O amor é gratuito! Então, não dá para continuar negando perdão, tendo medo de amar. Pelo outro e por nós mesmos, precisamos conhecer esta máxima da fé: “O amor cobre uma multidão de pecados.” (I Pe 4,8).

Eu quero continuar a amar quem me ferir e estar aberto ao perdão. Creio firmemente que a minha capacidade de amar — que é graça — não passa despercebida por Deus. E você, está disposto a treinar amar dessa forma tão bonita, com gestos concretos de perdão? ‘Tamu junto’!

Padre Omar é o Reitor do Santuário do Cristo Redentor do Corcovado. Faça perguntas ao Padre Omar pelo e-mail [email protected]. Acesse também www.padreomar.com e www.facebook.com/padreomarraposo

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