Por thiago.antunes

Rio - Políciais militares apreenderam neste sábado duas metralhadoras antiaéreas no Morro da Serrinha, em Madureira, onde desde a tarde de sexta-feira realizam operação para por fim à guerra entre facções rivais. Na região, também estão ocupadas pela operação do 9º BPM (Rocha Miranda), com apoio Batalhão de Choque e do Bope, as favelas do Cajueiro e de Congonha. O clima em toda a área do entorno da Rua Edgar Romero, no bairro, é de apreensão.

No início da ocupação, houve troca de tiros, que segundo moradores, se estendeu por toda a noite, terminando só na manhã de ontem. A PM afirma em nota, no entanto, que houve apenas “um pequeno confronto”. Não houve feridos, e a polícia diz que vai permanecer no local, pelo menos, até a noite deste sábado.

Moradores relatam tiroteio por toda a noite e clima de medo continua na Serrinha%2C Cajueiro e CongonhaSeverino Silva / Agência O Dia

No balanço da operação, uma pessoa foi presa e um menor apreendido. Além das duas metralhadoras antiaéreas, a polícia encontrou três rádios transmissores, um carregador e 30 munições de AK-47, 300 frascos de cheirinho da loló, 100 frascos de lança-perfume, 109 comprimidos de ecstasy, 88 trouxinhas de haxixe e 41 kg de maconha.

Alguns moradores dizem ser ‘cíclica’ a guerra de traficantes no local. “Há épocas em que está tudo em paz; noutras, me sinto na Síria, com tiros e bombas para todo o lado”, diz um aposentado, de 74 anos, que não quis se identificar por medo de represálias.

Todos com quem O DIA conversou temiam até serem vistos falando com o repórter. “Estamos sendo observados o tempo todo”, susurrou uma senhora de 63 anos, que trabalha na região. “Se não é de um lado, é do outro. Neste momento, todo mundo tem medo”, disse, apontando com a cabeça para as duas favelas em guerra. Ela conta que teve de esperar o tiroteio parar, na manhã de ontem, para poder sair de casa e comprar material para vender.

“Aí, você, meu filho, imagina o prejuízo. Aqui, quando está em guerra, é preciso ter cuidado para não morrer de tiro e para não morrer de fome”, brincou a senhora, apesar da tensão. Moradora da Edgar Romero há apenas três meses, uma cuidadora, que veio do Paraná para tomar conta da tia, disse que vai embora assim que puder: “Se eu ficar mais aqui, fico maluca.” Ela relatou que, durante a semana, bandidos passaram ao seu lado com um saco preto, que, mais tarde, foi saber se tratar de um corpo. “Era dia!”, espantou-se.

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