Por bianca.lobianco
Rio - A CCR Barcas registrou ontem mais um incidente — o terceiro em oito dias — envolvendo suas embarcações. Dessa vez, o catamarã social que sairia às 8h40 da Praça Araribóia em direção à Praça 15 encalhou na ponte de atracação, em Niterói, deixando 1.238 passageiros ‘à deriva' por cerca de 30 minutos. Segundo a concessionária, o problema foi causado pela baixa maré. Porém, os usuários afirmam que houve problema mecânico, pois o comandante teria avisado sobre a falha aos tripulantes, em áudio restrito ao grupo e que teria vazado.
Indignados com o atraso e a falta de informação%2C passageiros se uniram e querem processar a concessionáriaAlexandre Vieira / Agência O Dia

Enquanto a barca estava encalhada, passageiros ficaram em pânico. Eles reclamaram da falta de informação e afirmaram ainda que as portas foram fechadas, depois que um pequeno grupo conseguiu sair pela porta lateral do catamarã. Uma mulher grávida passou mal e recebeu ajuda dos demais usuários do sistema. Todos saíram da embarcação quando outra chegou. A concessionária afirma que todo o procedimento foi para “garantir a segurança dos usuários”. 

“Foi um absurdo. O catamarã mal saiu e, de repente, sentimos dar um tranco, e, depois, como se tivesse dando ré. Ficamos lá dentro com tudo fechado, sem informação alguma. Até a hora que ouvimos o áudio do comandante aos tripulantes e que vazou. Não nos deram nenhuma assistência, nem devolveram nosso dinheiro”, reclamou a advogada Ana Flávia Gomes, de 32 anos.

A estudante Lia Federici, 26, disse que chegou a ver fumaça saindo do motor. “Ficamos 35 minutos ali dentro. Não devolveram nosso dinheiro. Foi um sufoco para conseguirmos declaração para justificar o atraso no trabalho”, contou ela, que vai se unir a outros passageiros para processar a concessionária.
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A Agetransp informou que enviou equipe técnica ao local para realizar perícia e prometeu ainda uma “investigação rigorosa”. Já o Procon determinou que representantes da CCR Barcas se apresentem para explicar o fato, que pode caracterizar que o serviço prestado pela concessionária não oferece a segurança esperada pelo consumidor.
Na última sexta, ocorreu outro incidente envolvendo embarcação que faz viagem a Paquetá. Passageiros que estavam na ilha e esperavam a barca tiveram que esperar 30 minutos. O atraso foi provocado por “problemas operacionais de embarque e desembarque”.
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Meia hora no meio da Baía de Guanabara
No último dia 5, a barca Vital Brazil também apresentou problemas ao sair da Praça 15, com sentido a Paquetá. O leme da embarcação quebrou e houve dificuldades para retornar e atracar no cais. Os passageiros ficaram à deriva no meio da Baía de Guanabara, por 30 minutos. Ao chegar à Praça 15, a barca bateu em outra. Não houve feridos. Os 200 passageiros foram transferidos para a embarcação Itapuca. A Capitania dos Portos investiga o acidente. A embarcação está fora de circulação.
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