Por bianca.lobianco
Rio - Recém-nomeado para o cargo de cardeal, o arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, fez uma oração ontem na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, onde ocorreu uma chacina em 2011 e que resultou na morte de 12 crianças. No local, Orani encontrou com famílias das vítimas e pediu paz para o local e para o país. A visita fez parte do sétimo dia da Trezena de São Sebastião. Muitas pessoas que acompanharam a comitiva vestiam camisas com fotos dos 12 alunos assassinados.

De lá, o arcebispo seguiu para a Agência de Capacitação para o Trabalho do Banco da Providência, onde ressaltou a preocupação da Arquidiocese no campo social. O local, também localizado em Realengo, é território da Paróquia São José Operário e responsável por capacitar moradores da região para o mercado de trabalho. “Amar o próximo é capacitar, promover a pessoa humana. A capacitação é um passo a mais. É um dos passos da caridade social: trabalhar politicamente para tornar o mundo mais justo”, disse.

Durante a Trezena de São Sebastião%2C o arcebispo do Rio foi à Escola Tasso da Silveira%2C em Realengo%2C e conversou com familiares das vítimas de chacina que chocou o paísGustavo de Oliveira

A comitiva, que leva a imagem do santo a diversos lugares, também visitou uma das casas das Irmãs Missionárias da Caridade, em Bonsucesso. Hoje, Dom Orani deverá acompanhar a comissão no Hospital Central do Exército, em Benfica, além da visita à sede da prefeitura, ao Quartel-General da Polícia Militar e à Capela São Sebastião, no Caju.

Ontem, a presidenta Dilma Rousseff divulgou novamente mensagem de parabéns ao arcebispo pela nomeação. Ela declarou que recebeu a notícia com “muita alegria” e desejou boa sorte ao futuro cardeal. No domingo, Dilma disse que Dom Orani tem desempenhado um “grande trabalho à frente da arquidiocese”.
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Aos 63 anos, ele foi ordenado padre em 1974, nomeado bispo de São José do Rio Preto (SP) em 1997 e arcebispo de Belém (PA), em 2004. Em 2009, foi escolhido pelo então papa Bento XVI como arcebispo do Rio, onde assumiu a condução da Jornada Mundial da Juventude, em julho passado.
Na Igreja, promoção já era esperada
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Para membros da Igreja Católica, a promoção de Dom Orani pelo Papa Francisco já era algo esperado, devido à sintonia entre os dois. Dom Paulo Cezar Costa, bispo auxiliar da Arquidiose do Rio, lembrou que, logo ao desembarcar para a JMJ, o Papa cumprimentou o arcebispo não com um aperto de mãos, como era usual, mas com um abraço. “Havia proximidade e cordialidade entre os dois. Eles também tiveram uma identificação no jeito simples de ser. Quando dois homens que não complicam as coisas se encontram, eles se dão bem”.
Já o monsenhor Joel Portella Amado, coordenador arquidiocesano de Pastoral, aposta que a simpatia do Papa por Dom Orani surgiu em uma conferência de bispos em Aparecida, em 2007. “Os dois fizeram parte de umas das decisões aprovadas pela Igreja de aproximar-se das pessoas sofridas,por doença e dificuldades sociais, e Dom Orani implantou muito bem no Rio.”
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