Por bianca.lobianco
Rio - Avenida Presidente Vargas, 17h15. Um flagrante de ousadia e descaso trafegava ontem, no horário de pico, por uma das vias mais movimentadas do Centro da cidade. No teto de um ônibus da linha 474 (Jacaré-Jardim de Alah), dois garotos sentados na saída de emergência, pelo lado de fora do coletivo, mexiam com pedestres nas calçadas. Nas janelas, outros jovens também se equilibravam para fora, enquanto xingavam e faziam gestos obscenos para quem passava por ali. O DIA flagrou a cena e acompanhou, durante 300 metros, a viagem arriscada dos menores, sem que o ônibus fosse parado em momento algum por agentes de segurança na avenida.
Durante o percurso da Rua Uruguaiana até depois da Central do Brasil, o ônibus passou por viaturas da Polícia Militar, Guarda Municipal, pela sede da Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente (DPCA) e agentes da CET-Rio, mas em nenhum momento o coletivo foi parado. O motorista da linha só parou quando passageiro fez sinal em um dos pontos.
Meninos nas janelas de coletivo apontam como se estivessem com armas em direção a pedrestes e se expõem ao risco de uma queda na ruaAlexandre Vieira / Agência O Dia

O flagrante foi feito uma semana após o motorista da mesma linha, Francinaldo Ribeiro de Souza, 34 anos, ter sido assassinado. Ele dirigia o coletivo e, ao passar por São Cristóvão, um homem fez sinal e abriu fogo contra a vítima, que morreu na hora.

Os menores foram vistos pela primeira vez na altura da Rua Uruguaiana, sentido Zona Norte. Era um horário de grande movimento na Presidente Vargas, com pontos de ônibus lotados e trânsito lento. Um dos garotos na saída de emergência do teto, aparentava ter menos de 10 anos de idade. Eles conversavam e, quando passavam pelos pontos, mexiam com as pessoas na rua.

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Na parte traseira do ônibus, outros jovens arriscavam projetar seus corpos para fora das janelas. Dentro, um grupo aterrorizava os passageiros com gritos, palavrões e batidas na lataria do veículo. Incomodados com a viagem turbulenta, passageiros do 474 reclamavam pela janela: “É isso o tempo todo, não respeitam ninguém. Tem que mostrar esse absurdo”, afirmou uma mulher, ao ver a equipe de reportagem do DIA. No ponto de ônibus, pessoas se assustavam com a possibilidade de um dos garotos cair do alto do veículo na via.
Ao perceber que a cena era fotografada, o grupo de jovens que estava na parte de trás do ônibus junto com os garotos, começou a xingar e fazer gestos que simulavam armas e a sigla da facção Comando Vermelho. Eles ainda amarraram camisetas na cabeça para cobrir os rostos e arremessaram um dos assentos do coletivo contra o carro de reportagem.
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