Por bianca.lobianco
Rio - O impasse que envolve os ainda aliados PT e PMDB no Rio de Janeiro trouxe a cúpula do partido do governador Sérgio Cabral ontem à capital. Em reunião no Palácio Guanabara, o governador recebeu o vice-presidente da República, Michel Temer; o presidente nacional do PMDB, Valdir Raupp; e o presidente regional do partido, Jorge Picciani. O grupo sacramentou o nome de Luiz Fernando Pezão para candidato ao governo. Mas passou a ser dúvida a candidatura de Cabral ao Senado justamente para que a chapa possa ficar em aberto para negociar com o PT.

“A candidatura definida é a do Pezão. O governador Sérgio Cabral colocou o nome à disposição para a disputa do Senado. Mas a prioridade é a eleição para o governo e a manutenção da parceria nacional e estadual entre PT e PMDB. Portanto, ele abre a possibilidade...”, disse Picciani. O presidente regional do PMDB ainda garantiu: “Nós temos certeza de que vamos formar aliança com o PT apoiando Pezão, e mantendo a aliança nacional.” O governador já anunciou que vai sair do governo em 31 de março para Pezão assumir. Assim, Cabral estará livre para cuidar de sua pré-candidatura ao Senado.

Reunião no Palácio Guanabara reuniu nomes fortes do partido do vice-presidente da República%2C que também desembarcou na capital ontem Salvador Scofano / Divulgação

Raupp endossou: “O PT tem uma candidatura lançada no Rio, mas tem uma possibilidade de continuidade da aliança.” Participaram também da reunião o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, em Brasília, Eduardo Cunha; o presidente da Alerj, Paulo Melo; e o prefeito Eduardo Paes, que passou a ser estrela do partido depois de sua reeleição em primeiro turno em 2012 com 64,60%. O filho de Cabral, Marco Antônio, vice de Picciani, também esteve no encontro.

Quanto à ameaça de o PMDB não apoiar a presidenta Dilma Rousseff em outubro se o PT mantiver a candidatura do senador Lindbergh Farias à sucessão de Cabral, Raupp desconversou, dizendo que “ainda é muito cedo”.“Os partidos têm uma aliança sólida”, despistou.
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Para o PT, a esperança do PMDB de manter a aliança não tem fundamento. Segundo o secretário-geral do partido no Rio, Jorge Florêncio, Lindbergh vai disputar: “Não tem mais retrocesso, ele será candidato. Ninguém fala pelo PT. Só estaremos juntos com o PMDB se eles não forem cabeça de chapa.” 
Raupp, disse, ainda, que PT e PMDB terão candidatos diferentes em outros estados, mas não teme que a aliança nacional seja abalada por isso. Para Florêncio, “se algum estado tiver que pagar a conta pelo apoio à reeleição da Dilma, não será o Rio. Agora é a nossa vez”.
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‘Miro pode ser o Brizola de 82'
Enquanto o PMDB se reunia no Palácio, dirigentes do Pros estavam com o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PT). O presidente nacional do partido, Eurípedes Júnior; o presidente regional no Rio, deputado federal Hugo Leal; e o pré-candidato ao governo do Rio, deputado federal Miro Teixeira, foram à cidade para a posse do presidente do Pros municipal, vereador José Vicente (ex-PPS).
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O partido de Miro formalizou o apoio ao prefeito, mas formou um bloco com o PP que é maior do que a bancada do PT — o PP é a legenda do líder do governo, Milton Carlos Lopes, o Cal. A bancada repete acordo feito na Câmara, em Brasília. Sobre a pré-campanha de Miro, Hugo recorreu à história: “O Miro pode ser o Brizola de 82.”