Polícia monta força-tarefa para achar crianças sumidas

Acusado de oito desaparecimentos, tecnólogo da Marinha Mercante se entrega

Por O Dia

Rio - A polícia do Rio criou uma força-tarefa com agentes das delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), da Criança e Adolescente Vítima (Dcav) e de Homicídios (DH) para tentar localizar 16 meninas e um menino que desapareceram em circunstâncias semelhantes entre 2002 e 2009 no estado, quando tinham entre 8 a 13 anos. Ontem, a polícia apresentou o tecnólogo da Marinha Mercante Fernando Marinho de Melo, de 57 anos, acusado de envolvimento em pelo menos oito dos 17 casos. Ele tinha se apresentado na 39ª DP (Pavuna), na segunda-feira.

Fernando, porém, só foi condenado por apenas um caso, em dezembro passado: o que envolve o desaparecimento de Larissa Gonçalves Santos, de 11, no dia 31 de janeiro de 2008, na Barreira do Vasco. Pelo crime de sequestro de menor de idade e furto qualificado por abuso de confiança (na ocasião ele se passou por técnico de TV e, além de supostamente ter sequestrado Larissa usando um táxi, teria roubado o aparelho), ele vai cumprir sete anos de prisão. Inicialmente ele recebeu pena de quatro anos, revertida em trabalhos comunitários, mas depois revista pela Justiça a pedido do Ministério Público.

Fernando Marinho foi condenado a sete anos%3A ele nega os crimesAlexandre Vieira / Agência O Dia

“O que estão fazendo comigo é covardia. Sou pai de família, trabalho há 32 anos prestando serviço à minha pátria. Quem praticou esses crimes é um monstro. Vou provar que não tenho nada a ver com essas acusações”, afirmou Fernando, alegando que, no dia do desaparecimento de Larissa, trabalhava embarcado em Macaé, na Região dos Lagos.

Segundo a delegada da DPCA, Patrícia Aguiar, Fernando foi reconhecido nos oito casos. De acordo com a delegada da DH, Ellen Souto, e o titular da Dcav, Marcelo Maia, a maioria dos desaparecimentos ocorreu nas zonas Norte e Oeste, e em Angra dos Reis, no Sul Fluminense. As linhas de investigação, conforme O DIA havia antecipado ano passado, seguem múltiplas possibilidades, como tráfico internacional de seres humanos ou de órgãos, prostituição infantil e trabalho escravo. O assunto foi tratado na CPI das Crianças Desaparecidas e pela Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, da Câmara de Deputados, que cobram explicações da polícia e Justiça.

Notícias sobre o paradeiro

Em março de 2013, O DIA mostrou que dossiê elaborado pelo Portal Kids, organização que lida com casos de desaparecimentos de crianças e jovens no Brasil, denunciou os 17 desaparecimentos. Desse total, apenas dois tinham sido encaminhados ao Ministério Público e viraram processos. Além do de Larissa, outro, que está em curso, diz respeito a tentativa de sequestro de Flávio Lucas da Silva, de 9 anos.

Ontem, a tia de Larissa, Raquel Gonçalves, fez um desabafo. “Esperamos agora que a polícia descubra o que aconteceu com Larissa e outras vítimas”. Pela internet, parentes de outras crianças desaparecidas também manifestaram em grupo o mesmo desejo.

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