Por tamyres.matos
Rio - Como diria uma boa amiga: “A expectativa é a mãe da frustração.” Fui anunciar que ontem a ‘novela’ da saída do PT do governo Sérgio Cabral (PMDB) deveria acabar. Hoje sou obrigada a passar pelo papel miserável de noticiar que o único resultado prático da reunião entre Rui Falcão (presidente nacional do PT) e Washington Quaquá (presidente do PT do Rio) foi... o agendamento de duas novas reuniões no Rio. Ou seja: agora, a decisão sobre a data do desembarque dos petistas do governo do PMDB está anunciada para sábado.
Rui e Quaquá conversaram nesta quarta na sede do partido, em São Paulo. Assim que saiu da reunião, Rui explicou que estará no Rio no sábado, quando participará de encontro com a executiva estadual do PT. “No sábado, tem plenária no diretório, depois de eles fazerem uma reunião na sexta-feira. Vou manifestar minha opinião no sábado”, disse o presidente nacional do PT, sem dar pistas do que dirá. Quaquá levará para a reunião de sábado a proposta de uma data de saída do governo. E, aí, o partido chegará a um consenso — a não ser, claro, que o impasse continue.
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Pelo PT, o PMDB apoiaria o senador Lindbergh Farias; pelo PMDB, o PT apoiaria Luiz Fernando Pezão. Pelo PMDB, o PT se despediria de Cabral só em março. Por Quaquá, o ‘divórcio’ aconteceria ainda em janeiro. Por mim, eles poderiam só decidir logo porque ninguém mais aguenta essa ladainha.
Aos petistas impacientes de plantão, Rui mandou mensagem de paz: “Continua fora de questão qualquer hipótese de retirar a candidatura de Lindbergh.” O prefeito de Maricá acompanhou o tom de pacificação: “As nossas decisões não podem ser tomadas no sentido de prejudicar a candidatura de Lindbergh, então precisamos sair o mais rápido possível. Mas também não queremos prejudicar o conjunto das relações nacionais.” O medo que paira no ar é que o fim da aliança PT-PMDB no Rio atrapalhe o acordo nacional de apoio à candidatura da presidenta Dilma Rousseff à reeleição.
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Mas, eu, se fosse petista, ficaria especialmente atenta a uma frase que Rui falou ontem como quem não quer nada: “A direção nacional não tem feito nenhuma política de imposição nem de intervenção ao longo desses dois anos e meio. E eu pretendo que continue assim...”