Por tamyres.matos
Rio - O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público (MP) denunciou o advogado e jornalista Dahas Zarur, de 87 anos, ex-provedor da Santa Casa da Misericórdia do Rio, por formação de quadrilha, apropriação indébita, falsidade ideológica e sonegação fiscal. Segundo o Gaeco, Zarur é chefe de uma organização que construía jazigos clandestinos (sem a autorização da prefeitura) e os vendia por preços acima do mercado, sem fornecer nota fiscal ou usando documentos frios. Os montantes seriam desviados para as contas de Zarur e outras 23 pessoas envolvidas, entre elas, um funcionário da prefeitura.
A denúncia, encaminhada à 2ª Vara Criminal do Rio ontem e baseada em investigações da Delegacia Fazendária, pede a prisão de quatro pessoas além de Zarur: Raimundo Marcelo de Oliveira, apontado como braço direito de Zarur no esquema, e os administradores de dois dos 13 cemitérios sob os cuidados da Santa Casa — Washington Jorge da Silva e Djalma Castilho Júnior, que teriam ameaçado testemunhas citadas no inquérito policial.
Zarur%2C 87%3A acusado de construir jazigos clandestinos sem nota fiscalBanco de imagens

“Não tive acesso à denúncia, porém, acompanhei o inquérito e nele ficou claro que a Prefeitura do Rio fiscalizava periodicamente os cemitérios sob administração da Santa Casa. O meu cliente (Dahas Zarur) nunca teve notícia de construção de jazigos irregulares e trabalhava no escritório, no Centro. Não ia a cemitérios”, disse o advogado dele, Fernando Thompson Bandeira.

Publicidade
Entre os denunciados está Ademir Treichel, coordenador de Controle dos Cemitérios e Serviços Funerários da prefeitura. Segundo o Gaeco, com o recebimento de propina, as construções irregulares não eram fiscalizadas e informadas ao poder público. Ademir é denunciado pelo MP por corrupção passiva, e o afastamento dele do cargo é pedido à Justiça. Em nota, a Casa Civil do município informou que só se pronunciará após receber a denúncia e investigar o servidor.
O DIA procurou o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Rio para saber a situação dos funcionários da Santa Casa, que enfrentaram atrasos de salários e falta de condições de trabalho ano passado, mas não obteve resposta.
Publicidade
Esquema teria funcionado por nove anos
O teor da denúncia do MP sepulta a credibilidade de Dahas Zarur e da própria Santa Casa da Misericórdia, que teve unidades de saúde fechadas por falta de condições sanitárias em 2013. Segundo o documento, foram identificadas 23 transações imobiliárias que beneficiaram a quadrilha, e o dinheiro — cerca de R$ 21 milhões — não foi revertido para a instituição. O esquema teria funcionado por, pelo menos, nove anos.
Publicidade
“A congregação criminosa é chefiada pelo acusado Dahas Chade Zarur... Como comandante da associação estruturada para delinquir, o acusado conseguiu arquitetar um inigualável esquema para a prática dos crimes... várias construções irregulares de jazigos e nichos, vendidos, muitas vezes, com a prática de sonegação fiscal... para que tais valores fossem incorporados ao patrimônio pessoal do acusado”, escreveu o promotor Alexander Araújo de Souza.