Rio - Sob aplausos, o corpo do vice-presidente da Acadêmicos do Salgueiro, Marcello da Cunha Freire, o Marcello Tijolo, de 47 anos, foi enterrado no início da tarde desta sexta-feira no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste. Cerca de 300 pessoas acompanharam o cortejo, muitas vestidas com as camisas do Salgueiro e Flamengo, time de coração de Marcello. O vice do Salgueiro levou três tiros num atentado em Vila Isabel, na última terça-feira.
Roberta Freire, de 15 anos, uma das filhas de Marcello, passou mal e precisou receber atendimento médico. Ele deixa outros dois filhos, de 30 anos e nove meses. Os hinos do Flamengo e Salgueiro foram cantados durante o sepultamento.
A presidenta do Salgueiro, Regina Celi, disse que a escola vai homenagear Tijolo. "Esse ano o Salgueiro vai gritar mais alto em homenagem a ele. Marcello foi um grande salgueirense", disse. De acordo com ele, no ensaio deste sábado haverá um minuto de silêncio em memória do vice-presidente. No ensaio do dia 9 de fevereiro, na Sapucaí, haverá outra homenagem.
O deputado estadual e presidente da Estação Primeira de Mangueira, Chiquinho da Mangueira, de quem Marcello era assessor, lamentou a morte. "É uma despedida dolorosa. Perde o futebol, o Carnaval e a sociedade. Não imagino alguém fazendo mal ao Marcello. Ele nunca relatou ameaças ou dificuldade financeira", disse Chiquinho.
Presidente do Flamengo: 'Grande torcedor'
Integrantes da Velha Guarda do Salgueiro fizeram uma homenagem na saída do corpo da capela. Dois ônibus fretados levaram moradores da comunidade até o cemitério.
O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, salientou o amor de Tijolo pelo clube. "Fica a lembrança, acima de tudo, do grande torcedor que ele foi. Tinha uma relação passional com o clube do coração e se empenhava nas causas com a qual se envolvia, como a estátua do Zico na Gávea", destacou. Integrantes de outras escolas de samba também deram o último adeus a Tijolo.
Baleado em Vila Isabel
Tijolo faleceu na madrugada desta quinta-feira no Hospital da Unimed, na Barra da Tijuca, vítima de parada cardíaca. Ele havia sido transferido para a unidade na última quarta-feira. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, ele havia apresentado melhora em seu quadro clínico após passar por cirurgia no tórax, no Hospital Souza Aguiar.
Segundo testemunhas, Tijolo foi alvo de atentado quando saía de escritório de Chiquinho da Mangueira. Após a morte, as investigações ficaram a cargo da Divisão de Homicídios (DH). A 20ª DP (Vila Isabel) já havia solicitado imagens de câmeras de segurança da região.
Definido como ‘um cara do povo’, Tijolo sonhava, segundo amigos, presidir o Salgueiro ou o Flamengo (no qual se inseriu na vida política através da torcida organizada Raça Rubro-Negra, da qual foi presidente). De acordo com integrantes da escola, Tijolo passaria a oposição nas próximas eleições da Vermelha e Branca.
No Facebook, Zico, o maior ídolo da história do Flamengo, prestou sua homenagem: “Era um rubro-negro apaixonado e se tornou um amigo. Era um líder de torcida que ia contra muita coisa que existe hoje. Foi entusiasta de muitas homenagens a mim. Deixo meus sentimentos ao familiares. Que ele descanse em paz”, escreveu o Galinho, cuja estátua na Gávea teve como um dos idealizadores Tijolo.