Por tamyres.matos
Rio - Causou polêmica a declaração do escritor Carlos Heitor Cony, que comparou suas cachorras aos trabalhadores impedidos de realizar exames médicos num condomínio na Barra, na quarta-feira. Eles formam barrados depois de um administrador alegar que causariam “poluição visual e mau cheiro” no espaço.
Em programa da rádio CBN, Cony disse que os trabalhadores foram discriminados, mas afirmou que “cada um tem o direito de escolher as pessoas que frequentam a sua casa, o seu negócio.”
“Eu durante muito tempo tive duas cachorras, e era discriminado em alguns lugares porque não podia entrar com meus cachorros”, disse na rádio.
Publicidade
A opinião revoltou Marcelo Chalréo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ. “Cony mostrou uma visão de mundo excludente e foi infeliz ao comparar seres humanos aos animais”, declarou, indicando que o condomínio deve ser responsabilizado judicialmente: “Se é um condomínio onde se prestam serviços, todos tem o direito de entrar”.
A antropóloga Julia O’Donell, da Fundação Getulio Vargas, chamou atenção para o fato de que o Rio é uma cidade cada vez mais segregada. Ele criticou também as declarações do escritor. “Comparar animais com trabalhadores é um horror completo”, resumiu.
Publicidade