Para fugir dos preços elevados, carioca reedita ‘farofa’ na areia

Tradição de levar alimentos e bebidas para a praia ganha novos adeptos e cardápio variado

Por O Dia

Rio - Até pouco tempo, levar lanche feito em casa para a praia era sinônimo de constrangimento. Quem se atrevia a romper o ‘código de conduta do bom banhista de classe média’, ocupando trechos da orla com isopores e lanches, era alvo de olhares discriminatórios e rótulos pejorativos como “farofeiro” e “suburbano”. Hoje, devido à alta nos preços cobrados na faixa de areia, é cada vez maior o número de cariocas que recorrem ao bom e velho lanchinho caseiro.

Do Leme ao Pontal do Recreio, passando pelo Leblon, nota-se um cenário que remete ao tempo em que não havia vendedores ambulantes pelas areias. Em milhares de caixas e bolsas térmicas dispostas na orla, o menu é vasto. As tradicionais latas de cerveja dividem espaço com sanduíches, frutas, iogurtes e frios variados.

“Além de não haver opções saudáveis, os preços estão impraticáveis. Se fosse comprar tudo na praia, não gastaria menos de R$ 150. Fui ao mercado e gastei R$ 70. Passei a recorrer aos isopores depois que minha filha nasceu”, conta o arquiteto Marcos Castro, de 38 anos, enquanto a pequena Mariane, 4, come um iogurte na Praia do Recreio. De ambulante, ele só comprou uma água de côco. E reclamou dos R$ 6 cobrados.

O arquiteto Marcos Castro economizou R%24 80 comprando lanches saudáveis para a família no supermercado. Na praia%2C comprou apenas uma água de coco e reclamou do preço (R%246)Maíra Coelho / Agência O Dia

Organizado, não farofeiro

Em sintonia com ele, na Reserva da Barra, um grupo de nove adultos e duas crianças garantia não se envergonhar dos três isopores abarrotados com sucos, biscoitos e sanduíches preparados na véspera. “Não somos ‘farofeiros’, somos organizados. Fomos ao mercado e estamos bebendo a nossa cerveja preferida, por um preço justo, além de sabermos a procedência do que vamos comer”, disse o administrador Marcos Rocha, 27. Ele conta que passou a recorrer aos lanches caseiros depois de pagar R$ 6 em um queijo coalho.

Até mesmo no Leblon — bairro com o metro quadrado mais caro do Brasil —, há quem assuma a economia. “Vergonha é pagar o que tem sido cobrado e não recolher o lixo ao ir embora”, opina a moradora do bairro, Tamara Gavillan, 26, enquanto toma uma cerveja com os amigos Ricardo Ferreira, 28, e Ana Caroline Souza, 25. Em Copacabana, o casal Ricardo e Rachel Soretto também refuta o rótulo de ‘farofeiros’. “Como moramos próximos, só trazemos água, que nesta época sobe de R$ 3 para até R$ 5”, justifica ela.

Para Tamara%2C moradora do Leblon%2C com os amigos Ana Caroline e Ricardo%2C ‘vergonha é não recolher o lixo’Maíra Coelho / Agência O Dia

Protesto aponta preços abusivos

Eles se cansaram dos altos preços cobrados no Rio desde o anúncio da cidade como sede de grandes eventos, e resolveram protestar. Fanpages no Facebook se tornaram verdadeiras redes colaborativas de combate a preços considerados extorsivos. Com a irreverência típica dos cariocas, não demorou para que a moeda nacional ‘trocasse’ de nome: o o real passou a se chamar “SurReal”.

Nas páginas, fotos de cardápios e prestadores de serviço a serem boicotados são postadas e compartilhadas. A lista inclui pratos individuais a R$ 79 — ou 79 ‘SurReais’ em restaurantes da Zona Sul, mistos quentes a R$ 20, e garrafinhas d’água a R$ 10, aos pés do Cristo Redentor.

“A intenção é informar e boicotar o aumento”, diz Luciana Medeiros, criadora da página ‘Não Pago Preço Absurdo’, que conta com mais de 6.500 curtidores. Páginas ‘co-irmãs’, como a ‘Rio $urreal’ e a ‘Se Vira No Rio’ — com mais de 65 mil e 8 mil seguidores, respectivamente —, também fazem sucesso.

Ipanema teve 15 afogados

Bombeiros guarda-vidas de Ipanema tiveram muito trabalho com 15 resgates de afogamento na manhã deste domingo. O mais grave deles ocorreu com José Jorge Carvalho Filho, de 36 anos, que foi retirado já desacordado de dentro d’água e teve que ser levado, em estado grave, para o Hospital Miguel Couto, na Gávea. 

Segundo o salva-vidas Robson Melo, que fez o resgate, apesar das fortes ondas e das bandeiras sinalizando perigo, banhistas ainda se arriscavam a entrar na água.

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