Acusados de tortura e morte na ditadura intimados a depor nesta sexta

Audiência no Rio quer esclarecer mortes de dois militantes que teriam acontecido na Vila Militar

Por tamyres.matos

Rio - Em um esforço para a elucidação das mortes de dois guerrilheiros, a Comissão Nacional da Verdade convocou para depoimento hoje o capitão de cavalaria do Exército reformado Celso Lauria.O militar é apontado por ex-presos políticos como um dos comandantes da tortura que terminou na morte do militante da Var-Palmares Chael Charles Scheirer.

Lauria é obrigado a comparecer à audiência no auditório do Arquivo Nacional no Rio, sob pena de responder pelo crime de desobediência. Scheirer morreu sob tortura em 22 de novembro de 1969, quando estava na antiga Polícia do Exército da Vila Militar, onde Caetano Veloso e Gilberto Gil também estiveram presos. Ele foi capturado em um ‘aparelho’ em Lins de Vasconcellos com Maria Auxiliadora e Antonio Espinosa. Os dois relataram que Chael teve o pênis dilacerado e o corpo ensopado de sangue.

Comissão da Verdade vistoriou as dependências da Vila MilitarFabio Gonçalves / Agência O Dia

Imagem que o cineasta Silvio Da-Rin também jamais esqueceu. Preso no mesmo lugar, ele recorda que pouco antes de morrer, Chael foi arrastado por agentes da sala de interrogatório até o chuveiro de uma cela. Ao retornar, não resistiu aos choques elétricos: “O corpo nu ficou estirado na minha frente durante uma hora até ser removido. Os torturadores não sabiam o que fazer”. A nota oficial dos militares dizia que Chael morreu por ferimentos ocorridos durante a prisão.

Também foram convocados para depor hoje o sargento reformado Euler Moreira de Moraes e o médico legista do HCE à época Hargreaves Rocha. Os dois fizeram parte da tentativa de forjar a morte sob tortura de Severino Viana Colou, do Comando de Libertação Nacional (Colina), que estava preso na Vila Militar. Segundo o Exército, Colou foi encontrado “enforcado com a própria calça, amarrada em uma das barras da cela”. Versão contestada por presos que o viram ser torturado.

Nesta quinta-feira, a comissão esteve no prédio onde os crimes ocorreram na Vila Militar. Peritos, junto a ex-presos, vistoriaram o local para identificar as antigas celas, hoje transformadas em alojamentos.

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