Um paraíso refrescante no meio da mata

Gratuito, Parque da Taquara, em Caxias, atrai com suas belezas

Por O Dia

Rio - Cachoeiras, nascentes e quedas-d’água geladas, trilhas e muita aventura. Tudo isso somado à sombra, brisa fresca e o colorido da natureza. Seria o paraíso? Ainda não, mas o Parque Natural da Taquara, no terceiro distrito de Duque de Caxias, é opção quase celestial para quem deseja fugir do fogo ardente desse verão.

A diversão é gratuita e já conquistou o autônomo Fernando de Oliveira, de 39 anos. “Não conhecia e segui a indicação de um amigo que falou maravilhas. Aproveitei a folga para trazer a família toda para curtir. Voltarei com certeza”, confessou o morador do bairro Lote 15.

Doze guardas ambientais ajudam os visitantes a aproveitarem todos os atrativos do parque. As cachoeiras e piscinas naturais fazem a alegria de quem foge do sol forteRafael Barreto / Divulgação

A área do parque chega a quase 20 mil hectares de Mata Atlântica preservada. “Uma das nossas preocupações é em relação ao lixo. Temos muitos recipientes espalhados por todo o parque”, destaca o guarda ambiental Valdeque Cândido, 65, que trabalha na reserva desde 2009. Ele fica satisfeito com o movimento de visitantes: “O importante é a população aproveitar este paraíso ecológico.”

Nos finais de semana, o parque chega a receber, em média, cerca de três mil visitantes. As caminhadas ecológicas atraem escoteiros, estudantes e grupos de igrejas, que podem agendar o passeio. Para não deixar ninguém perdido, 12 guardas ambientais realizam visitas guiadas às trilhas, piscinas naturais e cachoeiras. Lar de seringueiras e bambus gigantes, que ultrapassam os 20 metros de altura, o parque também abriga um centro de pesquisa para universidades.

Depois de 25 minutos de trilha, a beleza da cachoeira Véu da Noiva é um colírio para os olhos de quem procura aliviar o calor. Junto com amigos, o estudante Gabriel Brandão, 16, deixou o computador e a televisão de lado para curtir as férias no parque. “Moramos em Santa Cruz da Serra mas, com este calor, batemos ponto aqui toda semana”, revela.

O mico-leão dourado%2C que andava desaparecido%2C voltou a aparecer no parque e já é uma das atrações Rafael Barreto / Divulgação

Com forte volume de água, a Véu da Noiva disputa a atenção com a Cachoeira Das Dores, alimentada pelo Rio Taquara. “Ir à praia é muito desgastante pelo sol forte. Aqui, a vegetação faz bloqueio e o clima fica ameno, bom para aproveitar as cachoeiras e fazer piquenique”, avalia o auxiliar de operações Luiz Gustavo Silva, 21, do bairro Parque Equitativa.

Mico-leão dourado é uma das espécies em extinção

Localizado bem no meio da Serra dos Órgãos, mais precisamente entre a APA Petrópolis e a Reserva do Tinguá, o Parque Natural da Taquara é o lar do mico-leão-dourado. Considerado extinto na região, foi encontrado novamente por especialistas há oito anos.

Embora a Baixada Fluminense faça parte da distribuição geográfica original do animal, atualmente, a espécie é encontrada em número significativo apenas na reserva do Poço das Antas, em Silva Jardim, a cerca de 130 quilômetros de Duque de Caxias.

Deslizar nas pedras das cachoeiras é uma das opções de lazer mais procuradas nos dias quentes da regiãoRafael Barreto / Divulgação

Além do simpático mico, quem visita o parque ainda pode ver aves como o tié sangue, o sabiá, o sanhaço, o gavião e o tucano, além de diversos mamíferos como o quati, a preguiça, o tatu e muitos macacos. Um bromeliário com várias espécies de plantas completa a oferta variada da flora que encanta os visitantes.

Antiga fazenda hoje sedia projeto para crianças

Foi em 1992, com a aprovação da lei 1.157, de 11 de dezembro, que a região tornou-se, oficialmente, parque municipal, implantado em uma antiga fazenda da região que deixou de herança o nome Taquara.

Na época, a fazenda produzia gêneros agrícolas, como farinha de mandioca, batata e arroz, para abastecer os moradores dos vilarejos que compunham a área que hoje forma a Baixada Fluminense. Situada na Estrada Taquara, era ponto de escoamento, pois ligava duas vilas portuárias: Pilar e Estrela.

Atualmente, o local desenvolve um projeto de educação ambiental infantil: o Guarda Florestal Mirim, com cerca de 120 crianças que fazem o curso aos sábados. A visitação ocorre de terça-feira a domingo, das 8 às 17 horas. O parque fica na Estrada Cachoeira das Dores, s/nº. Informações e agendamento de visitas (escolas, igrejas, associações e universitários) pelo (21) 2787-3696.

Reportagem de Larissa D'Almeida

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