'Todo bom profissional perceberia uma caçamba aberta' diz testemunha

Condutor de ônibus prestou depoimento sobre a tragédia na Linha Amarela e negou ter avisado algo ao motorista do caminhão que atingiu a passarela

Por O Dia

Rio - O motorista de ônibus Antônio Carlos da Silva Thimótheo, de 42 anos, que dirigia a linha 315 da Empresa Real Auto-ônibus e presenciou a tragédia na Linha Amarela, prestou depoimento na 44ª DP (Inhaúma) nesta quarta-feira sobre o acidente. Por volta das 9h da manhã desta terça, o condutor viu o momento em que a caçamba do caminhão da empresa Arco da Aliança atingiu a passarela da via e a derrubou, causando a morte de cinco pessoas e deixando outras cinco feridas.

Antônio Carlos da Silva Thimótheo presenciou toda a tragédia na Linha AmarelaFabio Gonçalves / Agência O Dia

De acordo com o delegado, ele negou ter emparelhado com o motorista do caminhão Fernando da Costa, de 30, e também afirmou que não viu o condutor falando no celular. Ele alega que tentou acelerar para alcançar o veículo e avisar o motorista sobre a caçamba, mas, devido à velocidade do caminhão, Antônio não conseguiu.

"Vi o motorista passar com a caçamba semi-aberta por três passarelas, mas quando vi que a caçamba estava toda aberta e iria colidir na passarela, parei há uns 100 metros de distância e presenciei toda a tragédia. Tudo que estou dizendo pode ser comprovado pelas câmeras ao longo da via", disse ele. 

O motorista de ônibus trabalha há quatro anos na área e já foi motorista de caminhão. Ao ser questionado se Fernando não poderia ter percebido a caçamba aberta, ele disse. "Acredito que todo bom profissional perceberia uma caçamba aberta", afirmou o motorista do ônibus.

O delegado responsável pelo caso, Fábio Asty, ouvirá ainda nesta quarta-feira, as vítimas sobreviventes e o condutor do caminhão  Luiz Fernando da Costa, de 30 anos. De acordo com o delegado, em uma conversa informal, o motorista do caminhão disse que entrou na Linha Amarela por conta própria, mesmo sendo em horário proibido. 

Corpos de vítimas foram enterrados nesta tarde

Quatro vítimas fatais da tragédia na Linha Amarela foram enterradas na tarde desta quarta-feira em dois locais distintos do Rio. Adriano Pontes de Oliveira, Célia Maria e o taxista Alexandre Gonçalves de Almeida foram enterrados no Cemitério de Inhaúma, por volta de 13h. Já Renato Pereira Soares, motorista do Palio que foi atingido foi enterrado no Cemitério do Maruí, em Niterói, na Região Metropolitana.

Gláucia Pereira de Andrade ficou mais de meia hora presa nas ferragens do carro do colega%2C que morreuReprodução

Delegado já colheu depoimento oficial de condutor do caminhão

O motorista Luiz Fernando da Costa, de 30 anos, que dirigia o caminhão que provocou a tragédia, foi transferido do Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, para uma unidade particular em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. De acordo com a secretária Municipal de Saúde, a transferência de Luiz Fernando aconteceu durante a madrugada desta quarta-feira. O motorista sofreu uma lesão abdominal e estava sob observação na unidade.

O delegado da 44ª DP já esteve no hospital e colheu depoimento oficial de Luiz Fernando. A mãe do motorista disse que a empresa Arco da Aliança está arcando com todas as despesas de seu filho  

Caminhão atingiu passarela da Linha Amarela%2C que desabou%2C deixando quatro pessoas mortasFabio Gonçalves / Agência O Dia

Estado de saúde dos feridos

A vitima Liliane de Souza Rangel, 33 anos, permanece no Hospital Municipal Souza Aguiar. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, ela teve uma fratura na bacia, está sob observação e seu estado de saúde é estável, não correndo risco de morte. Gláucia Andrade, de 56 anos, e Jairo Venatti, de 44 anos, estão nos hospitais Estadual Alberto Torres e Federal de Bonsucesso, respectivamente.

Imagens de câmeras de segurança da via estão sendo analisadas. A polícia também aguarda resultado dos laudos periciais.





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