Por thiago.antunes
Publicado 29/01/2014 01:54

Rio - A responsabilidade da tragédia na Linha Amarela, onde circulam 130 mil veículos por dia, virou um ‘jogo de empurra-empurra’. A Lamsa afirmou que não tem competência para impedir a circulação de caminhões em horários proibidos na via expressa e que isso é de responsabilidade da Polícia Militar. O Batalhão de Policiamento em Vias Especiais (BPVE), por sua vez, disse que a concessionária tem o papel de fazer o alerta, por meio de monitoramento, da circulação irregular.

Gláucia Pereira de Andrade ficou mais de meia hora presa nas ferragens do carro do colega%2C que morreuReprodução

São 51 câmeras ao longo da via. Assim, a corporação é comunicada e há a intervenção. Segundo o BPVE “infelizmente”, não foi possível fazer o alerta em dois minutos — tempo que o caminhão trafegou na Linha Amarela. Segundo o BPVE, eles aplicaram, entre 2012 e 2013, cerca de 14 mil multas em caminhões. Destas, 6.576 foram na via. Adesivo da Prefeitura do Rio teria sido retirado do caminhão após acidente.

Tragédia matou quatro

O Rio de Janeiro parou ontem para assistir à tragédia que deixou quatro mortos e cinco feridos na Linha Amarela, na altura de Del Castilho. Um caminhão com a caçamba levantada, que circulava em um horário proibido para o trânsito deste tipo de veículo na via expressa, bateu em uma passarela de pedestres, que desabou esmagando dois carros e derrubando um motociclista. Um terceiro automóvel ainda foi atingido por destroços.

>>>GALERIA: Tragédia mata quatro na Linha Amarela

O caminhão da empresa Arco da Aliança Comércio e Serviços Ltda, usado para recolher entulho e que tinha um adesivo de que estava a serviço da Prefeitura do Rio, entrou na rodovia pelo acesso 2, no Méier, e seguiu em direção à Avenida Brasil, por três quilômetros até o choque.

As imagens das câmeras de segurança da concessionária Lamsa mostram que o veículo ingressou na via às 9h11 e que, 11 segundos depois, a caçamba começou a se levantar lentamente. Todo o percurso do caminhão na Linha Amarela durou 2 minutos até o acidente.
Dos quatro mortos, dois estavam atravessando a passarela no momento do choque.

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Celia Maria, de 64 anos, teria sido arremassada da estrutura até a pista. Já Adriano de Pontes Oliveira, 26 anos, foi jogado no Rio que fica entre os dois sentidos da Linha Amarela. Dois homens conseguiram resgatá-lo na água, mas ele não resistiu e morreu antes da chegada do socorro dos bombeiros.

Alexandre Almeida, cuja idade não foi divulgada, conduzia um táxi no sentido Barra da Tijuca e morreu no local, quando seu veículo foi esmagado pela passarela. Renato Pereira Soares, 62 anos, conduzia o Palio, placa KWH 1367, que trafegava no mesmo sentido do caminhão e foi atingido em cheio pela estrutura. No Palio, estavam dois colegas de trabalho que ficaram com ferimentos graves: Glaucia Andrade, 56 anos, e Luiz Carlos Guimarães, 60 anos.

Outro ferido, Jairo Zenatti, de 44 anos, conduzia uma moto, que derrapou e bateu na estrutura. Ele teve fraturas no braço, coluna e lesão no pulmão, mas não corre risco de morte e nem de ficar paraplégico. Liliane De Souza Rangel, de 33, atravessava também a passarela e teve fratura na Bacia. O motorista do caminhão, Luis Fernando Costa, de 30 anos, foi hospitalizado com ferimentos graves, mas não corre risco de morrer. Ele trabalha há seis meses na empresa e disse que estava a 85 km/h.

O prefeito Eduardo Paes negou que o veículo estivesse a serviço da prefeitura e afirmou que para impedir tragédias como essa é necessário uma punição mais rígida. “Há sim maneiras de se evitar uma tragédia como esta, basta punir de forma mais enfática. O motorista deveria estar desatendo em não perceber uma caçamba daquele tamanho, o que me parece impossível”, afirmou. O trânsito na via ficou fechado por sete horas, no sentido Centro, e nove, em direção à Barra.

Caminhão atingiu passarela da Linha Amarela%2C que desabou%2C deixando quatro pessoas mortasFabio Gonçalves / Agência O Dia

Houve falha mecânica, diz motorista

A polícia irá investigar se houve falha mecânica no acidente na Linha Amarela, ontem de manhã. A hipótese se baseia em uma conversa informal entre o delegado Fábio Asty, da 44ª DP (Inhaúma) e o motorista Luis Fernando Costa, 30 anos, à tarde, no Hospital Lourenço Jorge, na Barra, Zona Oeste, mas só poderá ser confirmada oficialmente com a conclusão da perícia (dez dias).

“O motorista disse que só percebeu que a caçamba estava erguida na hora da colisão. Erguer a caçamba em movimento seria possível, mas demandaria uma força física muito grande. Acreditamos que pode ter ocorrido um defeito mecânico”, disse o delegado.

O tacógrafo irá verificar qual era a velocidade da carreta no momento do acidente. Com ruptura no fígado e duas costelas quebradas, o motorista só deve prestar depoimento na delegacia quando tiver alta hospitalar. Se condenado por homicídios e lesões culposas, pode pegar até 24 anos de prisão.

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