Fiscalização na Linha Amarela gera revolta em alguns motoristas

Proibição se aplica a caminhões, mas até veículos de pequeno porte estão sendo parados. Multa é de R$ 85,13

Por O Dia

Rio - A fiscalização de caminhões na Linha Amarela, um dia após um veículo com a caçamba em pé colidir e derrubar uma passarela, provocando a morte de quatro pessoas e ferimentos em outras cinco, está provocando revolta em alguns motoristas que passam pela via. A proibição se aplica a caminhões, mas até veículos de pequeno porte, como caminhonetes, estão sendo parados. Quem está desobedecendo a proibição de tráfego no horário está sendo multado em R$ 85,13.

Agentes da Lamsa e PMs fiscalizam vários pontos da via expressa, mas alguns veículos acabam escapando da blitz. Nas placas indicam a proibição de caminhões de passarem nos horários entre 6h e 10h e 17h e 20h, mas motoristas com veículos com pequena carga estão sendo parados. Enquanto isso, outros caminhões passam sem ser incomodados pela fiscalização, gerando revolta em quem fica no meio do caminho.

"Faço esse trajeto há três anos e nunca fui parado, meu veículo tem capacidade para carga de uma tonelada e meia e é uma caminhonete", reclamou Nailton Vieira, de 37 anos, que saiu da Penha em direção à Jacarepaguá com uma carga de cartazes. Segundo ele, no acesso a placa fala da proibição de caminhões e não outros veículos.

Veículos de menor porte também foram parados na fiscalização desta quarta-feiraFabio Gonçalves / Agência O Dia

A Lamsa, concessionária responsável pela Linha Amarela, colocou, na manhã desta quarta-feira, uma equipe em sua Praça do Pedágio, na altura do bairro de Água Santa, na Zona Norte, para fiscalizar a via expressa e tentar coibir o tráfego de veículos de carga em horário proibido, um dia após um caminhão derrubar uma passarela e matar quatro pessoas, na altura de Pilares.

A fiscalização da Lamsa começou por volta das 7h, no entanto, desde as 6h, a equipe de O DIA 24 Horas pôde acompanhar, do Centro de Operações Rio, que veículos pesados trafegavam na via expressa em horário proibido. Pelos menos quatro caminhões foram vistos pelas câmeras da concessionária. Até as 7h40, três caminhões foram parados na blitz da Lamsa, sendo um modelo caçamba, outro de uma cervejaria e o terceiro de uma transportadora de mudanças.

No acidente, outras cinco pessoas ficaram feridas. O caminhão trafegava na Linha Amarela em horário proibido, às 9h12 da manhã, e derrubou a passarela, após passar com a caçamba levantada em um local onde o limite de altura era de 4,5 metros. O tráfego de veículos de carga é proibido na Linha Amarela entre 6h e 10h da manhã e entre 17h e 20h da noite.

Veículos são parados por policiais durante fiscalização na Linha AmarelaSeverino Silva / Agência O Dia

PM diz que 'infelizmente' não houve tempo para impedir acidente na Linha Amarela

A responsabilidade da tragédia na Linha Amarela, onde circulam 130 mil veículos por dia, virou um ‘jogo de empurra-empurra’. A Lamsa afirmou que não tem competência para impedir a circulação de caminhões em horários proibidos na via expressa e que isso é de responsabilidade da Polícia Militar. O Batalhão de Policiamento em Vias Especiais (BPVE), por sua vez, disse que a concessionária tem o papel de fazer o alerta, por meio de monitoramento, da circulação irregular.

>>>GALERIA: Tragédia mata quatro na Linha Amarela

Caminhão atingiu passarela da Linha Amarela%2C que desabou%2C deixando quatro pessoas mortasFabio Gonçalves / Agência O Dia

São 51 câmeras ao longo da via. Assim, a corporação é comunicada e há a intervenção. Segundo o BPVE “infelizmente”, não foi possível fazer o alerta em dois minutos — tempo que o caminhão trafegou na Linha Amarela. Segundo o BPVE, eles aplicaram, entre 2012 e 2013, cerca de 14 mil multas em caminhões. Destas, 6.576 foram na via. Adesivo da Prefeitura do Rio teria sido retirado do caminhão após acidente.

Celia Maria, de 64 anos, teria sido arremassada da estrutura até a pista. Já Adriano de Pontes Oliveira, 26 anos, foi jogado no Rio que fica entre os dois sentidos da Linha Amarela. Dois homens conseguiram resgatá-lo na água, mas ele não resistiu e morreu antes da chegada do socorro dos bombeiros.

Alexandre Almeida, cuja idade não foi divulgada, conduzia um táxi no sentido Barra da Tijuca e morreu no local, quando seu veículo foi esmagado pela passarela. Renato Pereira Soares, 62 anos, conduzia o Palio, placa KWH 1367, que trafegava no mesmo sentido do caminhão e foi atingido em cheio pela estrutura. No Palio, estavam dois colegas de trabalho que ficaram com ferimentos graves: Glaucia Andrade, 56 anos, e Luiz Carlos Guimarães, 60 anos.

Táxi foi esmagado após ser atingido por passarela da Linha AmarelaReprodução Internet

Outro ferido, Jairo Zenatti, de 44 anos, conduzia uma moto, que derrapou e bateu na estrutura. Ele teve fraturas no braço, coluna e lesão no pulmão, mas não corre risco de morte e nem de ficar paraplégico. Liliane De Souza Rangel, de 33, atravessava também a passarela e teve fratura na Bacia. O motorista do caminhão, Luis Fernando Costa, de 30 anos, foi hospitalizado com ferimentos graves, mas não corre risco de morrer. Ele trabalha há seis meses na empresa e disse que estava a 85 km/h.

O prefeito Eduardo Paes negou que o veículo estivesse a serviço da prefeitura e afirmou que para impedir tragédias como essa é necessário uma punição mais rígida. “Há sim maneiras de se evitar uma tragédia como esta, basta punir de forma mais enfática. O motorista deveria estar desatendo em não perceber uma caçamba daquele tamanho, o que me parece impossível”, afirmou. O trânsito na via ficou fechado por sete horas, no sentido Centro, e nove, em direção à Barra.

Houve falha mecânica, diz motorista

A polícia irá investigar se houve falha mecânica no acidente na Linha Amarela, ontem de manhã. A hipótese se baseia em uma conversa informal entre o delegado Fábio Asty, da 44ª DP (Inhaúma) e o motorista Luis Fernando Costa, 30 anos, à tarde, no Hospital Lourenço Jorge, na Barra, Zona Oeste, mas só poderá ser confirmada oficialmente com a conclusão da perícia (dez dias).

“O motorista disse que só percebeu que a caçamba estava erguida na hora da colisão. Erguer a caçamba em movimento seria possível, mas demandaria uma força física muito grande. Acreditamos que pode ter ocorrido um defeito mecânico”, disse o delegado.

O tacógrafo irá verificar qual era a velocidade da carreta no momento do acidente. Com ruptura no fígado e duas costelas quebradas, o motorista só deve prestar depoimento na delegacia quando tiver alta hospitalar. Se condenado por homicídios e lesões culposas, pode pegar até 24 anos de prisão.

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