Justiça condena ex-vereador Deco e outros integrantes de milícia

Ele seria o principal dirigente de quadrilha

Por O Dia

Rio - O Juiz Marco José Mattos Couto, da 2ª Vara Criminal de Jacarepaguá do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, condenou o ex-vereador Luiz André Ferreira da Silva, conhecido como Deco, à pena de 10 anos em regime fechado pela prática de quadrilha armada (milícia).

Também foram condenados os integrantes do grupo Hélio Albino Filho, o Lica ou PM Souza; Arilson Barreto das Neves, o Cabeção; e Edilberto Gomes Alves, conhecido como Bequinho, cada um a 7 anos de reclusão pelo mesmo crime. A pena deverá ser cumprida em regime fechado, não podendo os réus recorrerem em liberdade.

Segundo a denúncia, pelo menos desde 2004, os réus atuavam em localidades dos bairros da Praça Seca, Campinho, Tanque e Quintino, nas zonas norte e oeste da cidade, praticando diversos crimes de extorsão, relacionados a serviços de “segurança e proteção”, fornecimento de gás de cozinha (GLP), serviços de distribuição de internet e TV a cabo clandestinos, exploração de jogos de azar, entre outros, formando uma perigosa quadrilha armada, intitulada “pessoal do Deco”.

Deco%2C miliciano e ex-vereador%2C está foragidoPaulo Araújo / Agência O Dia

O grupo teria passado a cobrar de comerciantes contribuições periódicas em dinheiro, utilizando-se de grave ameaça, com emprego de armas de fogo, para efetuar as cobranças indevidas. Ainda de acordo com o Ministério Público, utilizando-se de mecanismos de ameaça, a quadrilha teria conseguido, inclusive, eleger seu líder ao cargo de vereador do Município do Rio de Janeiro na eleição de 2008.

Deco seria o principal dirigente da quadrilha, exercendo forte influência sobre os moradores e comerciantes das áreas dominadas, onde alega combater a criminalidade, organizar festas e oferecer melhorias. Luiz André teria ainda estruturado o grupo nos moldes de uma empresa, criando “cargos” e repartindo atribuições, como as de gerentes, presidentes de associações de moradores, matadores, agentes de campo, segurança e olheiros, tendo chegado a criar a chamada “lista negra da milícia”, na qual, mensalmente, são relacionados os nomes daqueles que devem morrer.

Já o réu Hélio Albino seria o vice-líder da quadrilha e braço direito de Deco, sendo responsável por gerenciar as atividades lucrativas para a quadrilha. Arilson atuaria como presidente de associação de moradores, ficando com a parte de recolhimento e recebimento das “taxas de segurança”, entre outros, e Edilberto atuaria como segurança de Deco. Na decisão, o juiz absolveu Paulo Ferreira Junior, Maria Ivonete Santana Madureira e Gonçalo de Souza Paiva por falta de provas consistentes.

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