Linha Amarela: Polícia pretende ouvir testemunhas do acidente nesta quarta-feira

Delegado deve ouvir motorista de ônibus que tentou alertar condutor de caminhão, além de sobreviventes da tragédia

Por O Dia

Rio - Testemunhas que presenciaram a tragédia na Linha Amarela devem ser ouvidas pela 44ª DP (Inhaúma) devem ser ouvidas nesta quarta-feira. Ontem, um caminhão com a caçamba em pé colidiu e derrubou uma passarela, deixando quatro pessoas mortas e outras cinco feridas. 

De acordo com a 44ª DP, uma das pessoas a serem ouvidas é o motorista do ônibus que tentou avisar ao condutor do caminhão que a caçamba está aberta. Ao DIA, Antônio Carlos da Silva, de 43 anos, que trabalha na linha 315 (Central/Recreio), contou em detalhes os momentos que antecederam o acidente "Fiz de tudo para avisar. Buzinei, gritei que a caçamba estava levantada e ia bater na passarela. Parei a 50 metros da passarela que ele derrubou", disse.

Ainda segundo a delegacia, as investigações estão em andamento para apurar as circunstâncias do acidente. O delegado responsável pelo caso também pretende ouvir, ainda nesta quarta-feira, as vítimas sobreviventes e o motorista do caminhão, caso eles tenham liberação médica. Imagens de câmeras de segurança da via estão sendo analisadas. A polícia também aguarda resultado dos laudos periciais.

Fiscalização na Linha Amarela gera revolta em alguns motoristas

A fiscalização de caminhões na Linha Amarela, um dia após a tragédia, está provocando revolta em alguns motoristas que passam pela via. A proibição se aplica a caminhões, mas até veículos de pequeno porte, como caminhonetes, estão sendo parados. Quem está desobedecendo a proibição de tráfego no horário está sendo multado em R$ 85,13.

Veículos são parados por policiais durante fiscalização na Linha AmarelaSeverino Silva / Agência O Dia

Agentes da Lamsa e PMs fiscalizam vários pontos da via expressa, mas alguns veículos acabam escapando da blitz. Nas placas indicam a proibição de caminhões de passarem nos horários entre 6h e 10h e 17h e 20h, mas motoristas com veículos com pequena carga estão sendo parados. Enquanto isso, outros caminhões passam sem ser incomodados pela fiscalização, gerando revolta em quem fica no meio do caminho.

"Faço esse trajeto há três anos e nunca fui parado, meu veículo tem capacidade para carga de uma tonelada e meia e é uma caminhonete", reclamou Nailton Vieira, de 37 anos, que saiu da Penha em direção à Jacarepaguá com uma carga de cartazes. Segundo ele, no acesso a placa fala da proibição de caminhões e não outros veículos.

Houve falha mecânica, diz motorista

A polícia irá investigar se houve falha mecânica no acidente na Linha Amarela, ontem de manhã. A hipótese se baseia em uma conversa informal entre o delegado Fábio Asty, da 44ª DP (Inhaúma) e o motorista Luis Fernando Costa, 30 anos, à tarde, no Hospital Lourenço Jorge, na Barra, Zona Oeste, mas só poderá ser confirmada oficialmente com a conclusão da perícia (dez dias).

“O motorista disse que só percebeu que a caçamba estava erguida na hora da colisão. Erguer a caçamba em movimento seria possível, mas demandaria uma força física muito grande. Acreditamos que pode ter ocorrido um defeito mecânico”, disse o delegado.

O tacógrafo irá verificar qual era a velocidade da carreta no momento do acidente. Com ruptura no fígado e duas costelas quebradas, o motorista só deve prestar depoimento na delegacia quando tiver alta hospitalar. Se condenado por homicídios e lesões culposas, pode pegar até 24 anos de prisão.

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