Manutenção negligenciada permite que força aerodinâmica levante carroceria

Possibilidade de motorista estar usando celular também pode ter facilitado acidente na Linha Amarela. Três vítimas serão enterradas hoje. Famílias reclamaram da falta de assistência

Por O Dia

Rio - Temidos nas rodovias de todo o país, os areieiros, como são chamados os motoristas de caminhões basculantes, já protagonizaram acidentes graves ao longo da história. Até os motoristas dos demais caminhões ‘saem da frente’, porque eles ‘pilotam’ máquinas curtas e leves com motor forte para levar uma carga compacta e pesada como areia ou lama. Assim, vazios, voam baixo.

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O episódio da Linha Amarela, entretanto, pode ter mais motivos do que a imprudência com a deliberada elevação da caçamba: a manutenção do pistão hidráulico, que executa a função, quando negligenciada, permite que a força aerodinâmica levante a carroceria. Isto aconteceu pelo menos outras duas vezes, nos EUA e na Turquia, quando caminhões ‘areieros’ derrubaram passarelas.

>>>GALERIA: Tragédia na Linha Amarela deixa quatro mortos

A possibilidade de o motorista do caminhão estar usando um celular também poderia ter facilitado o acidente, uma vez que o telefone demanda as mesmas áreas do cérebro que as exigidas para dirigir. Aí, direção rima com distração.

Dispositivo difícil de ser acionado

Acionar o dispositivo para elevar a caçamba de um caminhão do tipo do que causou o acidente não é tarefa simples. É preciso que o motorista faça pelo menos três movimentos com pé e mãos. 

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No site da Secretaria Municipal de Transportes consta que o caminhão tem três multas, duas gravíssimas e uma grave. Em abril de 2013, por bloquear uma via. Em julho de 2012, com uma multa gravíssima em Botafogo. E em março do mesmo ano, por estacionar na calçada). O motorista do caminhão, Luis Fernando Costa há seis meses na empresa e estava com a carteira (categoria D) em dia. O veículo passou por reparos na caixa de marchas e foi devolvido à empresa no domingo.

Famílias reclamam de falta de assistência

Destinos trágicos se cruzaram na passarela%3A Adriano%2C 26 anos%2C ia para o trabalhoÁlbum de família

Na sala de espera do Instituto Médico Legal (IML), parentes das vítimas do acidente da Linha Amarela estavam desolados. Custavam a entender a tragédia, enquanto aguardavam a liberação dos corpos. Para agravar a dor, sentiam-se desamparados, sem apoio de funcionários da prefeitura ou da Lamsa. Este foi o caso do pedreiro Claudeciro Rosa Oliveira. Calado, com o olhar perdido, ele fornecia os documentos de seu único filho, o bancário Adriano Pontes de Oliveira, de 26 anos, que atravessava a passarela para ir trabalhar, quando foi arremessado no rio.

Com o suor do pai, Adriano se formou em Administração e, recentemente, passou para a pós-graduação em Gestão de Negócios da Universidade Federal Fluminense (UFF), fato do qual ele se orgulhava em sua página no Facebook, no álbum “Vitórias”. Ele seria promovido esta semana no banco onde trabalhava. Adriano escreveu na rede que estava ansioso por 2014: “Ano de vitórias e realizações em todas as áreas da minha vida!!!! ops... das nossas vidas caros amigos!!!”, escreveu.

No IML , Luiz Bezerra, tio de Adriano — a vítima mais jovem do acidente — reclamava da ausência das autoridades. “Não queremos dinheiro, só que eles quisessem saber, pelo menos, como estamos”, queixava-se. Somente às 16 horas, dois funcionários da concessionária apareceram no local. 

O enterro de Adriano será hoje, às 13 horas, no Cemitério Inhaúma, assim como o de Célia Maria, de 64 anos. Moradora da comunidade Águia de Ouro, em Inhaúma, e mãe de dois filhos, ela caminhava na passarela para ir à feira, na companhia de sua nora, Liliana de Souza Rangel, 36, que fraturou gravemente a bacia e passou por operação ontem, no Hospital Souza Aguiar.

Célia%2C 64%2C para a feira. A nora dela%2C Liliana%2C 36%2C ficou feridaÁlbum de família

Renato Soares, filho da vítima de mesmo nome, de 62 anos, não aguentou ficar até o final da liberação do corpo do motorista do Palio, que foi completamente destruído pela passarela. O amigo da vítima, Júlio Ribeiro, afirmou que Renato estava trabalhando como documentarista, a serviço do Detran, no momento do acidente. Morador de Niterói, ele transportava dois clientes no carro. Ambos sobreviveram. “É uma tragédia. Ele era saudável. Agora tudo acabou”, disse Júlio, que também reclamou da falta de assistência da prefeitura e da Lamsa aos parentes no IML.

O tio de Adriano, o feirante Sebastião Soares de Pontes, 53, afirmou que este não teria sido o primeiro acidente envolvendo caminhão tipo caçamba e passarela na Linha Amarela. “Já aconteceu de um caminhão caçamba bater em passarelas daqui sim. Eu só não poderia imaginar que uma passarela, que parecia tão forte, poderia ceder desta forma.” Os parentes de Alexandre de Almeida, o motorista do táxi também atingido, não foram localizados no IML. Apenas um amigo próximo teria aparecido no local, o que não teria sido suficiente para a liberação do corpo.

Feridos em estado grave nos hospitais

Feridos do acidente estão em estado grave em hospitais do Rio. O pior caso é o de Luiz Carlos Smith Guimarães, de 70 anos, que teve traumatismo craniano. O homem, que estava no Palio destruído, está em coma no Hospital Salgado Filho, no Méier.

Liliane Rangel, de 36, que estava na passarela, teve fratura grave na bacia e passou por cirurgia no Hospital Souza Aguiar, no Centro. Gláucia Pereira de Andrade, 56, teve fratura no joelho e escoriações e fez sutura no Hospital Alberto Torres, em São Gonçalo. O motoqueiro Jair Zenatti teve fratura exposta no braço, na coluna e lesão no pulmão.

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Filho de mulher que ficou nas ferragens mais de meia hora: alívio no hospital

Um dos três passageiros do Palio que foi esmagado pela estrutura da passarela, a prestadora de serviços para o Detran Gláucia Pereira de Andrade, de 56 anos, chegou a ficar presa por mais de meia hora nas ferragens do veículo até ser socorrida pelos bombeiros. Ela foi levada de helicóptero em estado de choque até o Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo, onde foi submetida a tomografia e ultrassonografia.

Segundo a unidade, a paciente sofreu uma fratura no joelho da perna esquerda e escoriações pelo corpo. Durante a tarde, ela estava mais tranquila e lúcida, e deve receber alta do hospital na manhã de hoje. De acordo com o motorista Genilson de Andrade, 38, filho da vítima, Gláucia estava a caminho do trabalho quando tudo aconteceu.

“Ela estava tranquila com seus colegas. Demoraram muito para tirá-la do carro e por isso pensei que tinha sido mais grave. Ela estava em estado de choque, muito triste, ainda mais pela morte do colega de trabalho que dirigia o carro. Mas graças a Deus está tudo bem. Ela nasceu de novo”, disse. O homem que dirigia o veículo, Renato Pereira Soares, 62 anos, morreu no local, e o passageiro do banco de trás, Luis Carlos Guimarães, 70, foi levado para o Hospital Salgado Filho, no Méier. Ele teve traumatismo craniano e vai ser submetido a cirurgia.

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Manutenção negligenciada permite que força aerodinâmica levante carroceria O Dia - Rio De Janeiro

Manutenção negligenciada permite que força aerodinâmica levante carroceria

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Por O Dia

Rio - Temidos nas rodovias de todo o país, os areieiros, como são chamados os motoristas de caminhões basculantes, já protagonizaram acidentes graves ao longo da história. Até os motoristas dos demais caminhões ‘saem da frente’, porque eles ‘pilotam’ máquinas curtas e leves com motor forte para levar uma carga compacta e pesada como areia ou lama. Assim, vazios, voam baixo.

Clique no infográfico para ver maiorArte%3A O Dia

O episódio da Linha Amarela, entretanto, pode ter mais motivos do que a imprudência com a deliberada elevação da caçamba: a manutenção do pistão hidráulico, que executa a função, quando negligenciada, permite que a força aerodinâmica levante a carroceria. Isto aconteceu pelo menos outras duas vezes, nos EUA e na Turquia, quando caminhões ‘areieros’ derrubaram passarelas.

>>>GALERIA: Tragédia na Linha Amarela deixa quatro mortos

A possibilidade de o motorista do caminhão estar usando um celular também poderia ter facilitado o acidente, uma vez que o telefone demanda as mesmas áreas do cérebro que as exigidas para dirigir. Aí, direção rima com distração.

Dispositivo difícil de ser acionado

Acionar o dispositivo para elevar a caçamba de um caminhão do tipo do que causou o acidente não é tarefa simples. É preciso que o motorista faça pelo menos três movimentos com pé e mãos. 

Clique na imagem para ver maiorArte%3A O Dia

No site da Secretaria Municipal de Transportes consta que o caminhão tem três multas, duas gravíssimas e uma grave. Em abril de 2013, por bloquear uma via. Em julho de 2012, com uma multa gravíssima em Botafogo. E em março do mesmo ano, por estacionar na calçada). O motorista do caminhão, Luis Fernando Costa há seis meses na empresa e estava com a carteira (categoria D) em dia. O veículo passou por reparos na caixa de marchas e foi devolvido à empresa no domingo.

Famílias reclamam de falta de assistência

Destinos trágicos se cruzaram na passarela%3A Adriano%2C 26 anos%2C ia para o trabalhoÁlbum de família

Na sala de espera do Instituto Médico Legal (IML), parentes das vítimas do acidente da Linha Amarela estavam desolados. Custavam a entender a tragédia, enquanto aguardavam a liberação dos corpos. Para agravar a dor, sentiam-se desamparados, sem apoio de funcionários da prefeitura ou da Lamsa. Este foi o caso do pedreiro Claudeciro Rosa Oliveira. Calado, com o olhar perdido, ele fornecia os documentos de seu único filho, o bancário Adriano Pontes de Oliveira, de 26 anos, que atravessava a passarela para ir trabalhar, quando foi arremessado no rio.

Com o suor do pai, Adriano se formou em Administração e, recentemente, passou para a pós-graduação em Gestão de Negócios da Universidade Federal Fluminense (UFF), fato do qual ele se orgulhava em sua página no Facebook, no álbum “Vitórias”. Ele seria promovido esta semana no banco onde trabalhava. Adriano escreveu na rede que estava ansioso por 2014: “Ano de vitórias e realizações em todas as áreas da minha vida!!!! ops... das nossas vidas caros amigos!!!”, escreveu.

No IML , Luiz Bezerra, tio de Adriano — a vítima mais jovem do acidente — reclamava da ausência das autoridades. “Não queremos dinheiro, só que eles quisessem saber, pelo menos, como estamos”, queixava-se. Somente às 16 horas, dois funcionários da concessionária apareceram no local. 

O enterro de Adriano será hoje, às 13 horas, no Cemitério Inhaúma, assim como o de Célia Maria, de 64 anos. Moradora da comunidade Águia de Ouro, em Inhaúma, e mãe de dois filhos, ela caminhava na passarela para ir à feira, na companhia de sua nora, Liliana de Souza Rangel, 36, que fraturou gravemente a bacia e passou por operação ontem, no Hospital Souza Aguiar.

Célia%2C 64%2C para a feira. A nora dela%2C Liliana%2C 36%2C ficou feridaÁlbum de família

Renato Soares, filho da vítima de mesmo nome, de 62 anos, não aguentou ficar até o final da liberação do corpo do motorista do Palio, que foi completamente destruído pela passarela. O amigo da vítima, Júlio Ribeiro, afirmou que Renato estava trabalhando como documentarista, a serviço do Detran, no momento do acidente. Morador de Niterói, ele transportava dois clientes no carro. Ambos sobreviveram. “É uma tragédia. Ele era saudável. Agora tudo acabou”, disse Júlio, que também reclamou da falta de assistência da prefeitura e da Lamsa aos parentes no IML.

O tio de Adriano, o feirante Sebastião Soares de Pontes, 53, afirmou que este não teria sido o primeiro acidente envolvendo caminhão tipo caçamba e passarela na Linha Amarela. “Já aconteceu de um caminhão caçamba bater em passarelas daqui sim. Eu só não poderia imaginar que uma passarela, que parecia tão forte, poderia ceder desta forma.” Os parentes de Alexandre de Almeida, o motorista do táxi também atingido, não foram localizados no IML. Apenas um amigo próximo teria aparecido no local, o que não teria sido suficiente para a liberação do corpo.

Feridos em estado grave nos hospitais

Feridos do acidente estão em estado grave em hospitais do Rio. O pior caso é o de Luiz Carlos Smith Guimarães, de 70 anos, que teve traumatismo craniano. O homem, que estava no Palio destruído, está em coma no Hospital Salgado Filho, no Méier.

Liliane Rangel, de 36, que estava na passarela, teve fratura grave na bacia e passou por cirurgia no Hospital Souza Aguiar, no Centro. Gláucia Pereira de Andrade, 56, teve fratura no joelho e escoriações e fez sutura no Hospital Alberto Torres, em São Gonçalo. O motoqueiro Jair Zenatti teve fratura exposta no braço, na coluna e lesão no pulmão.

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Filho de mulher que ficou nas ferragens mais de meia hora: alívio no hospital

Um dos três passageiros do Palio que foi esmagado pela estrutura da passarela, a prestadora de serviços para o Detran Gláucia Pereira de Andrade, de 56 anos, chegou a ficar presa por mais de meia hora nas ferragens do veículo até ser socorrida pelos bombeiros. Ela foi levada de helicóptero em estado de choque até o Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo, onde foi submetida a tomografia e ultrassonografia.

Segundo a unidade, a paciente sofreu uma fratura no joelho da perna esquerda e escoriações pelo corpo. Durante a tarde, ela estava mais tranquila e lúcida, e deve receber alta do hospital na manhã de hoje. De acordo com o motorista Genilson de Andrade, 38, filho da vítima, Gláucia estava a caminho do trabalho quando tudo aconteceu.

“Ela estava tranquila com seus colegas. Demoraram muito para tirá-la do carro e por isso pensei que tinha sido mais grave. Ela estava em estado de choque, muito triste, ainda mais pela morte do colega de trabalho que dirigia o carro. Mas graças a Deus está tudo bem. Ela nasceu de novo”, disse. O homem que dirigia o veículo, Renato Pereira Soares, 62 anos, morreu no local, e o passageiro do banco de trás, Luis Carlos Guimarães, 70, foi levado para o Hospital Salgado Filho, no Méier. Ele teve traumatismo craniano e vai ser submetido a cirurgia.

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