Rio - A Prefeitura do Rio está com um ‘pepino’ olímpico nas mãos. Nenhuma empresa com capacidade para realizar a obra está interessada na construção da Arena de Handebol para os Jogos de 2016, que vai ficar no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca. Nem mesmo o valor — cerca de R$ 178 milhões — atraiu empreendedoras.
Na primeira licitação, ocorrida em dezembro, apenas a Sanerio Construções Ltda se candidatou. Mas ela foi considerada inabilitada já na primeira fase, porque não atendeu às exigências técnicas necessárias, previstas no edital. De acordo com despacho publicado ontem no Diário Oficial, a Comissão Permanente de Licitação declarou o “certame fracassado”.
Sem candidatas, o município estuda três opções para resolver o problema. Uma saída seria realizar uma nova licitação. A segunda solução é fazer um ajuste de preço, para tornar o projeto “mais atrativo ao mercado-alvo”, como afirmou, por nota, a RioUrbe, empresa da prefeitura responsável pela concorrência pública. Por fim, o município admite a possibilidade de fazer uma contratação direta, pelo mesmo valor de R$ 178 milhões.
A arena, que terá capacidade para 12 mil lugares, será temporária, porque, após os jogos, o local dará lugar a quatro escolas em 2017. De acordo com a Empresa Olímpica Municipal, é a primeira vez que este conceito de arquitetura nômade é utilizado em Jogos Olímpicos.
Quem ficar com a obra do Centro de Handebol, também será o responsável pela desmontagem da estrutura e a construção das unidades de ensino do município, que terão capacidade de 500 alunos cada. A localização das escolas foi definida com ajuda da Secretaria Municipal de Educação. Três vão beneficiar estudantes da região da Barra da Tijuca.
A primeira ficará perto do Parque Olímpico, a segunda, em um terreno na Avenida Salvador Allende; e a terceira, perto do Parque Carioca, onde será realocada parte dos moradores da comunidade Vila Autódromo. A quarta unidade de ensino será montada em um terreno em São Cristóvão.
Arena: instalação permanente
No Dossiê de Candidatura do Rio, de 2009, a Arena de Handebol seria uma instalação permanente – o quarto pavilhão esportivo do Centro Olímpico de Treinamento (COT) – e tinha estimativa de investimento na construção de cerca de R$ 160,6 milhões.
Porém, a prefeitura e o governo federal avaliaram que três pavilhões já atenderiam à demanda do COT e optaram por construir uma arena temporária, eliminando o alto custo futuro de manutenção de um equipamento permanente. Dos R$ 178 milhões a ser gastos agora, R$ 31,2 milhões vão para a montagem das escolas.