Por helio.almeida

Rio - Apesar do calor, centenas de pessoas foram às praias neste domingo usando turbante na cabeça e roupas compridas, movidas pela fé. Afinal, era 2 de fevereiro, dia de Iemanjá, a Rainha do Mar. No Centro do Rio, duas procissões aconteceram ao mesmo tempo. Por volta das 8h, na Cinelândia, o Afoxé Filhos de Gandhi-Rio já entoava canções de louvor. Perto dali, na Federação dos Blocos Afros e Afoxés (Febarj), na Lapa, centenas de presentes eram oferecidos à entidade. Os dois grupos seguiram em direção à Praça 15, de onde as oferendas partiram de barco para a Baía de Guanabara.

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A CCR-Barcas, concessionárias que administra as barcas Rio-Niterói, disponibilizou embarcação para transportar fiéis. Além de flores, foram oferecidos barquinhos, perfumes, pentes, bonecas e outros agrados. A procissão seguiu até a Praia de Icaraí, em Niterói, onde tudo foi entregue e retornou à Praça 15. De lá, o grupo Filhos de Gandhi continuou cantando no Largo de São Francisco da Prainha, na Zona Portuária, onde foi servida uma peixada.

Devotos prestam homenagem à IemanjáSeverino Silva / Agência O Dia

Dona Atanizia D’Oyá é organizadora da festa há 17 anos. Ela contou que paga promessa. O filho nasceu no dia 2 de fevereiro. “Ele estava morrendo. Eu disse que se ela me ajudasse e eu conseguisse ver meu filho se formar, nunca mais daria presente de aniversário para ele. O presente ia ser para ela. Ele hoje tem 38 anos, se formou com 21. É saudável e bem sucedido. Para mim, não é obrigação e nem sacrifício, é apenas um ato de fé.”

À tarde, aproximadamente 20 terreiros de candomblé se reuniram no Posto 1 para saldar Iemanjá. Esta é a segunda vez que o evento é realizado, sendo que no ano passado a estátua da entidade havia sido depredada por vândalos. No local, o grupo afro de Salvador Afoxé Filhos do Korim Efan gravou um CD de samba de roda que visa combater a intolerância religiosa.

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