Por bianca.lobianco

Rio - O corpo do cineasta Eduardo Coutinho, de 81 anos, morto neste domingo a facadas pelo próprio filho, Daniel Coutinho, está sendo velado, na manhã desta segunda-feira, na capela 3 do Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. O corpo será sepultado às 16h.

A Justiça do Rio decretou nesta segunda a prisão preventiva de Daniel. Ele está internado sob custódia no Hospital Miguel Couto, na Gávea. Heloísa de Oliveira Coutinho, de 78 anos, irmã do cineasta, relatou que foi avisada da tragédia por um dos filhos de Coutinho.

Luiz Carlos Barreto%2C o Barretão%2C um dos maiores produtores de cinema do país%2C falou com jornalistas no velório de Eduardo CoutinhoAlexandre Vieira / Agência O Dia

"Preferiram me ligar para que eu soubesse da notícia por meio da família e não pela imprensa", disse. Moradora de São Paulo, a irmã afirmou que o cineasta "era um cara engraçado, ótimo pai e que tinha muito orgulho dos seus filhos". Segundo ela, Daniel chegou, inclusive, a trabalhar em um filme do pai.

Sobre a acusação de que o suspeito sofre de esquizofrenia, a tia afirmou que assuntos relacionados à saúde de Daniel nunca foram revelados. "Eduardo era bem reservado quanto a isso", disse ela.

Vera Lúcia Maciel Sazelle, de 62 anos, professora aposentada e moradora do edifício Master, em Copacabana, onde Coutinho fez um documentário com os integrantes do prédio, disse que mesmo após o cineasta ter finalizado o trabalho, os participantes continuaram mantendo uma certa ligação, ainda que distante, com Eduardo. "Fiquei muito triste com a notícia. Foi uma morte inesperada", lamentou. 

O cineasta João Moreira Salles (à esquerda) no velório de Eduardo CoutinhoAlexandre Vieira / Agência O Dia

Luiz Carlos Barreto, o Barretão, um dos maiores produtores de cinema do país, está no velório. Ele é pai dos cineastas Bruno e Fabio Barreto. O cineasta João Moreira Salles também foi ao cemitério São João Batista homenagear o amigo.

'Eu libertei meu pai', diz Daniel Coutinho, suspeito de assassinar cineasta

Segundo o delegado Rivaldo Barbosa, titular da Divisão de Homicídios (DH), um dos filhos do documentarista, o jornalista Daniel de Oliveira Coutinho, de 41 anos, teria sido o responsável pelo crime. Daniel também teria tentado matar a mãe e se matar.

O crime aconteceu por volta das 11h. Quando os bombeiros chegaram, minutos depois, o cineasta já estava morto. Em entrevista coletiva na noite deste domingo, o delegado afirmou que Maria das Dores de Oliveira Coutinho, mulher de Eduardo, só conseguiu se salvar porque se trancou no banheiro e de lá ligou para outro filho. Ela levou duas facadas na altura dos seios e três no abdômen e está internada em estado grave no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, onde passou por cirurgia.

Eduardo Coutinho foi morto a facadasDivulgação

Ainda segundo Rivaldo, após o crime, Daniel se esfaqueou duas vezes e então bateu na porta de vizinhos. Uma das testemunhas ouvidas pela DH relatou que ele repetia a frase “eu libertei o meu pai e tentei libertar a minha mãe e a mim”. Segundo relatos, Daniel teria problemas mentais e sofreria de esquizofrenia. Ele também passou por uma cirurgia no Miguel Couto e seu estado de saúde é estável. O suspeito está internado sob custódia. 

“O que aconteceu é a expressão genuína da palavra tragédia. Um filho mata o pai, tenta matar a mãe e cometer suicídio. Não há dúvidas de que Daniel é o autor dos crimes”, disse Rivaldo.

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