Por bianca.lobianco

Rio - O delegado da Divisão de Homicídios (DH) Rivaldo Barbosa afirmou, nesta terça-feira, que Daniel Coutinho assassinou o pai, o cineasta Eduardo Coutinho, no último domingo. Segundo Barbosa, durante depoimento, que teve a duração de mais de duas horas, no Hospital Miguel Couto, na Gávea, o acusado confessou todo o crime. 

"Daniel está lúcido e esclareceu toda a dinâmica do crime. Na verdade ele disse que tinha um medo de viver. É bom que se esclareça que não há nenhuma relação direta entre a doença mental e a prática de crime. Quem pensa dessa forma é preconceituoso", disse Barbosa ao RJTV.

Nesta segunda-feira, a Justiça do Rio decretou a prisão preventiva de Daniel, que está sob custódia na unidade hospitalar. 

Corpo do cineasta Eduardo Coutinho foi enterrado no Cemitério São João Batista. Despedida foi marcada por aplausos de 10 minutosFoto%3A Alexandre Vieira / Agência O Dia

Cineasta foi morto a facadas

O cineasta foi assassinado a facadas em sua casa na Lagoa, Zona Sul do Rio. Segundo Rivaldo Barbosa, um dos filhos do documentarista, o jornalista Daniel de Oliveira Coutinho, de 41 anos, foi o responsável pelo crime. Daniel também teria tentado matar a mãe e se matar.

O crime aconteceu por volta das 11h. Quando os bombeiros chegaram, minutos depois, o cineasta já estava morto. Em entrevista coletiva na noite de domingo, o delegado afirmou que Maria das Dores de Oliveira Coutinho, mulher de Eduardo, só conseguiu se salvar porque se trancou no banheiro e de lá ligou para outro filho. Ela levou duas facadas na altura dos seios e três no abdômen e também foi levada para o Hospital Miguel Couto. 

Corpo de Eduardo Coutinho foi enterrado no Cemitério São João Batista

O corpo de Eduardo Coutinho foi enterrado no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, por volta das 16h20 desta segunda-feira. Durante a despedida ao cineasta, os presentes aplaudiram por 10 minutos.

Heloísa de Oliveira Coutinho, de 78 anos, irmã do cineasta, relatou que foi avisada da tragédia por um dos filhos de Coutinho."Preferiram me ligar para que eu soubesse da notícia por meio da família e não pela imprensa", disse. Moradora de São Paulo, a irmã afirmou que o cineasta "era um cara engraçado, ótimo pai e que tinha muito orgulho dos seus filhos". Segundo ela, Daniel chegou, inclusive, a trabalhar em um filme do pai.

Eduardo Coutinho foi assassinado a facadas em sua casa na Lagoa, na Zona SulDivulgação

Sobre a acusação de que o suspeito sofre de esquizofrenia, a tia afirmou que assuntos relacionados à saúde de Daniel nunca foram revelados. "Eduardo era bem reservado quanto a isso", disse ela.

Vera Lúcia Maciel Sazelle, de 62 anos, professora aposentada e moradora do edifício Master, em Copacabana, onde Coutinho fez um documentário com os integrantes do prédio, disse que mesmo após o cineasta ter finalizado o trabalho, os participantes continuaram mantendo uma certa ligação, ainda que distante, com Eduardo. "Fiquei muito triste com a notícia. Foi uma morte inesperada", lamentou.

O cineasta Walter Carvalho lamentou a morte de Coutinho. "Tem certas pessoas que não têm definição. Coutinho era uma pessoa que tinha uma preocupação coma vida e tentava mostrar isso no cinema. O cinema dele foi um exemplo pra quem quer entender o Brasil", disse. Outros colegas, como Neville de Almeida também falaram sobre a tragédia. "Ele foi um dos maiores cineastas do mundo, um dos poucos com paixão, talento e identidade. Coutinho renovou o gênero do documentário e teve pouco reconhecimento", afirmou o cineasta.

A secretária Estadual de Cultura, Adriana Rattes, comentou sobre a obra do documentarista. "O cinema dele era feito com o coração. Tinha um dom incrível para expressar sua arte". O vereador Antonio Pitanga estava bastante abalado. "O cinema brasileiro fica órfão com esta tragédia. Teremos que aprender a nos reconstruirmos". O ator Wagner Moura falou sobre o legado e Coutinho. "Sem dúvidas foi o maior documentarista brasileiro, deixou um grande presente para as próximas gerações. É uma pena".




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