Por cadu.bruno

Rio - Durante quase um ano, a condução para a escola se tornou um pesadelo para uma criança de cinco anos, segundo a Polícia Civil. Morador da Ilha do Governador, o menino teria sido abusado sexualmente pelo motorista que fazia o seu transporte em um carro particular — Gol modelo 2010 — em 2013.

Indiciado por estupro de vulnerável e com a prisão temporária decretada (30 dias), o português Carlos Inácio Coentro Portela, de 51 anos, é acusado de praticar o crime dentro do veículo vazio e teria, inclusive, levado a suposta vítima mais de uma vez para sua casa, também no bairro. Se condenado pelo crime, Tio Carlos, como é conhecido, poderá pegar pena de prisão de de 8 anos a 15 anos.

Carlos, que é casado com uma brasileira, também fazia o transporte de outras crianças para mais duas instituições de ensino daquele bairro da Zona Norte. Em depoimento à Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav) — que investiga se ele fez outras vítimas —, o motorista negou as acusações e disse apenas ‘gostar de crianças’.

Carlos Inácio Coentro Portela%2C de 51 anos%2C é conduzido por um policial da Dcav%3A ações teriam ocorrido na Ilha do Governador%2C ano passadoCarlos Moraes / Agência O Dia

Segundo a delegada Rita de Cássia Salim, Carlos não tinha autorização para fazer o transporte. Ela já procurou a Polícia Federal para saber se ele tem anotações criminais no exterior.
“A prisão temporária é para instruir o inquérito. Como é estrangeiro, tem mais facilidade para sair do país. Vamos ouvir outras mães também e aguardamos a Polícia Federal nos informar sobre a situação legal dele no Brasil, bem como se ele tem anotações criminais no exterior”, declarou a delegada da Dcav.

Em depoimento, o português informou que veio para o Brasil em 2007 e se casou no cartório com uma brasileira, em janeiro de 2008. Ele disse ser aposentado em Portugal e alega que começou a trabalhar com transporte escolar há cerca de três anos para ter uma renda maior.
“Carlos nega as acusações, diz que gosta muito de criança e que não praticou o fato. Ele indicou os nomes das crianças para quem ele fazia o transporte”, relatou a delegada.

De acordo com as declarações da criança e dos depoimentos dos pais à Dcav, o menino sofreu abusos dentro do carro e também na casa do motorista. Algumas vezes, o menino chegou em casa com brinquedos dados pelo Tio Carlos. A criança também relata que ouviu gritos e ameaças para que ele não contasse o que aconteceu. Segundo declarações, o motorista deixava as crianças em casa e ficava sozinho com a vítima no veículo.

Os pais só desconfiaram do crime em outubro, quando o menino pediu à sua mãe para sair do transporte e que ela o levasse à escola. Além disso, ele passou a ter um comportamento diferente e retraído. Os pais o levaram ao psicólogo, que em seu relatório, fez declaração sobre o abuso sexual. O caso foi confirmado em novo depoimento na Dcav.

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