Por thiago.antunes

Rio - A ação no Juramento que terminou com seis mortos nesta terça-feira repercutiu no Facebook. “A resposta à morte da SD Alda e do SD Rocha (da UPP Camarista Méier, executado em Marechal Hermes), no final de semana, está sendo dada!”, escreveu o perfil ‘PMERJ FEM’ (dedicada a mulheres na Polícia Militar), exibindo, lado a lado, foto do ataque no Parque Proletário e dos mortos no Juramento.

A postagem teve mais de 2.300 compartilhamentos e foi retirada do ar ontem à noite. A comunidade ‘Porque eu quis’, com mais de 16 mil seguidores no Facebook, usou a mesma imagem para criticar a ação: “O que a PM mais faz é ‘justiça’ com as próprias mãos.”

Armas%2C munições e drogas apreendidas no JuramentoSeverino Silva / Agência O Dia

A ação policial em resposta ao ataque no Parque Proletário não se limitou ao Juramento. Policiais fizeram operações em outras quatro comunidades do Rio. Nas favelas do Rola e Antares, em Santa Cruz, dois suspeitos ficaram feridos em uma troca de tiros com PMs do 27º BPM (Santa Cruz).

No Morro do Banco, no Itanhangá, policiais do 31º BPM (Recreio) prenderam cinco suspeitos, apreenderam uma pistola e drogas. Na Vila Kennedy, em Bangu, homens do 14º BPM (Bangu) prenderam dois suspeitos e encontraram um fuzil e drogas. PMs também fizeram operação no Morro Jorge Turco, em Rocha Miranda.

Rastro de sangue após ataque 

Depois da ação, a reação. Com o apoio de carros blindados, homens do 41º BPM (Irajá) mataram seis suspeitos de tráfico de drogas durante tiroteio, ontem de manhã, no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho. A polícia investiga se outros dois feridos, um deles menor de idade, tinham envolvimento com o crime. Os PMs ainda apreenderam quatro fuzis, duas pistolas, cinco granadas, munição e drogas. Em meio à operação, que durou quatro horas, dois policiais militares foram atingidos de raspão nas pernas.

Dois suspeitos apreendidos na operação do 41º BPM (Irajá)%2C no Juramento%2C são levados para delegaciaSeverino Silva / Agência O Dia

Foi a resposta dada pela PM ao ataque orquestrado pelo Comando Vermelho à sede da UPP do Parque Proletário, na Penha, dois dias antes, que causou a morte da policial militar Alda Rafael Castilho, 22 anos. No ataque, o soldado Marcelo Gilliard da Silva Miranda foi baleado na perna esquerda e dois moradores se feriram.

De acordo com o tenente-coronel Luiz Carlos Leal Gomes, comandante do 41º BPM, a ação feita no Morro do Juramento, comunidade em uma área de atuação do Comando Vermelho, tinha como objetivo localizar os responsáveis pelo ataque no Parque Proletário. Segundo ele, um morador enviou uma mensagem anônima ao batalhão, informando que o Fiat Idea preto usado na ação teria sido abandonado.

Veículo é periciado

O veículo foi encontrado anteontem e identificado por policiais da UPP do Parque Proletário que foram atacados por criminosos próximo ao contêiner da unidade. “Eu recebi a informação de que esses homens podiam estar no Juramento. Acreditamos que esses bandidos possam estar lá, mas a investigação está a cargo da Polícia Civil”, disse o comandante do 41º BPM.

O veículo foi periciado por agentes da Divisão de Homicídios da Polícia Civil (DH), que tentaram encontrar impressões digitais. Entretanto, a DH ainda não confirmou se o carro é o mesmo usado pelos bandidos que atacaram policiais da UPP do Parque Proletário.

A intensa troca de tiros assustava quem passava próximo ao Juramento, ontem de manhã. O tráfego na Avenida Pastor Martin Luther King Jr., em Vicente de Carvalho, só foi liberado por volta das 15h. “Como ir trabalhar sossegada em um dia como este? É impossível”, desabafou uma moradora que não quis se identificar.

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