Grevistas do Comperj acusam sindicato de tentar impedir protesto

Dois operários foram baleados por homens em uma moto durante a madrugada desta quinta-feira

Por O Dia

Rio - Os grevistas do Complexo Petroquímico do Rio (Comperj) acusam o Sindicato da Construção Civil de tentar impedir o protesto dos trabalhadores. Na madrugada desta quinta-feira, dois operários foram baleados por homens encapuzados que passaram em uma moto quando se preparavam para realizar um piquete.

Dupla foi baleada por homens encapuzadosFabio Gonçalves / Agência O Dia

Na palavra de um deles, que não quis de identificar, o sindicato, que deveria os representar, "está compactuando com os patrões". Ainda segundo os grevistas, o próprio sindicato teria contratado pessoas, entre eles milicianos, para impedir a paralisação. De acordo com o comandante do 35º BPM (Itaboraí), coronel Fernando Salema, que acompanha as manifestações desde ontem, ainda é prematura fazer afirmações sobre as acusações dos grevistas. Quanto a possível presença de milicianos, ele disse que não há presença deles na região, comandada pelo tráfico.

Os baleados, identificados como Felipe Feitosa Lima, 21 anos, e Françuelio Rodrigo Fernandes, 20 anos, foram levados para o Hospital Leal Júnior. Felipe teve três perfurações no pâncreas e o intestino delgado, na mão e coxa direita. Ele passou por cirurgia e seu estado de saúde é estável. Já Françuelio foi baleado na mão e no tornozelo por um tiro. Ele fez exames e será operado, sendo considerado estável seu estado de saúde. A 71ª DP (Itaboraí) abriu um inquérito e investiga o caso.

Trabalhadores estão em greve desde quarta-feiraFabio Gonçalves / Agência O Dia

Os trabalhadores do Comperj estão em greve desde quarta-feira. Eles reivindicam melhores condições trabalhistas, além de acusarem o Sindicato da Construção Civil de receber propina para acabar com a greve. Ontem, um ônibus do sindicato foi incendiado durante um protesto. A RJ-116 chegou a ser fechada pelos manifestantes, provocando retenções na via.

Saída do Nordeste em busca de trabalho

Em busca de trabalho e melhores condições de vida, cerca de 500 trabalhadores das obras do complexo petroquímico deixaram a cidade de Tabuleiro do Norte, no Ceará, para tentar a sorte no Rio. Inclusive, os dois trabalhadores baleados nesta madrugada são do município cearense. Muitos deles moram o bairro Rio Várzea.  

Francisco dos Santos, que mora com Felipe e é casado com uma tia dele, conta que eles vieram há quatro meses para trabalharem como carpinteiros nas obras do Comperj, onde estão há três. Contratados através da ECMA, eles não recebem o salário há dois meses, desde que a empresa teve o contrato rescindido e parou de prestar serviços às obras. A rescisão de contrato dos trabalhadores também não foi paga.

O conterrâneo Françuélio trabalhava como armador na obra e estava no Rio há sete meses. Ele mora junto com o pai. 

Edição: Adriano Araújo

Últimas de Rio De Janeiro