Vídeo flagra socorro a cinegrafista ferido em protesto

Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, foi atingido na cabeça por artefato enquanto cobria manifestação

Por O Dia

Rio - Um vídeo divulgado pela britânica BBC flagra o momento em que um cinegrafista da TV Bandeirantes foi ferido por uma bomba. O repórter Wyre Davies e o cinegrafista Chuck Tayman, ambos da TV inglesa, socorreram Santiago. Ainda não é possível saber se a vítima foi atingida por uma bomba caseira ou por uma bomba de gás lacrimogênio. Nas imagens, é possível ver uma mulher segurando um rojão perto da vítima logo após o incidente.

Santiago Andrade foi levado para o Hospital Souza Aguiar e submetido a uma cirurgia de quatro horas, que terminou no fim da noite. Ele sofreu afundamento de crânio. Dois drenos foram colocados na cabeça do profissional da Bandeirantes para diminuir a pressão craniana. Ele está em coma no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do hospital. Parentes estiveram na unidade até o início da madrugada desta sexta-feira.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou uma nota de repúdio ao ataque sofrido pelo cinegrafista da Band. Em 2013, 114 profissionais da imprensa foram feridos durante a cobertura de protestos.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), outras seis pessoas ficaram feridos feridas no protesto. Um homem também permanece internado em observação no Souza Aguiar. Ele não teve o nome informado. Cinco mulheres foram liberadas. Cerca de 30 pessoas foram detidas.

Região da Central vira praça de guerra

A manifestação contra o aumento da passagem de ônibus contou com cerca de mil pessoas e terminou em confronto entre ativistas e policiais militares do Batalhão de Choque (BPChq). A confusão começou após um grupo quebrar catracas na estação Central do Brasil da SuperVia. A PM atirou uma bomba de gás dentro do local, assustando usuários do transporte e provocando correria generalizada.

Manifestantes e PMs entraram em confronto nas ruas do CentroAndré Mourão / Agência O Dia

Muitas pessoas foram socorridas por quem passava no local na hora da confusão. Pelo menos 10 catracas foram danificadas e, por mais de duas horas, milhares de pessoas não pagaram passagem.

Centenas de pedestres ficaram assustados, correndo para o Terminal Rodoviário Américo Fontenelle. Idosos se abrigaram na 4ª DP (Praça da República) e muitos ficaram em pânico com a confusão. Parte do grupo se deslocou em direção ao Túnel da Saúde, em direção à Zona Portuária.

Manifestantes e PMs entraram em confronto nas ruas do CentroAndré Mourão / Agência O Dia

O corre-corre continuou do lado de fora, com uso de mais bombas e spray de pimenta pelos policiais. Segundo a SuperVia, as estações Central e Praça da Bandeira fecharam parcialmente, enquanto o Metrô Rio anunciou o fechamento dos acessos Campo de Santana, Ministério do Exército, Alfândega e os acessos Praça e Theatro Municipal, na Cinelândia.

A Avenida Marechal Floriano, na altura da Central do Brasil, bem como a Rua Bento Ribeiro, foram fechadas. Houve lentidão no tráfego nas avenidas Presidente Vargas e Rio Branco, que também foram parcialmente interditadas. Por volta das 20h15, houve nova confusão na estação da Central do Brasil, quando manifestantes tentaram arrombar um dos portões e foram dispersados pelos PMs.

Um grupo virou uma das cabines de fiscais de ônibus e ateou fogo, sendo dispersado em seguida. Ruas do entorno foram interditadas e reabertas constantemente.

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