Atentados que causaram morte de PM foram ordenados por traficante

Dois acusados de participar de ataque foram presos

Por O Dia

Rio - O destino da soldado Alda Castilhos, da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Parque Proletário, no Complexo da Penha, foi traçado um dia antes do ataque de bandidos que a matou, na tarde do dia 2. Isso porque, na véspera, um grupo de 30 traficantes do Complexo do Alemão estava reunido no conjunto de favelas para decidir a ação junto com integrantes da quadrilha da Nova Holanda, na Maré.

A ordem era abrir fogo contra as sedes e os policiais das UPPs e da 45ª DP (Alemão). Ali ficou definido que qualquer policial, mesmo sem que os bandidos conhecessem seus nomes ou rostos, era inimigo e deveria ser alvo da retaliação dos traficantes. Tudo autorizado por um dos criminosos mais procurados do Rio: Luciano Martiniano da Silva, o Pezão.

Três suspeitos detidos na operação policial nos complexos da Penha e do Alemão foram levados para Cidade da Polícia%2C no Jacarezinho Fabio Gonçalves / Agência O Dia

Em liberdade desde 2008, Pezão é o maior líder da facção Comando Vermelho que não está atrás das grades atualmente. Apesar de ter 14 mandados de prisão, ele entra e sai de seu antigo reduto, o Complexo do Alemão. A presença dele na reunião com o bando mostra não só que o traficante circula livremente pela cidade, mas que os ataques nos dois conjuntos de favelas foram orquestrados por ele. A polícia investiga informações sobre o encontro e o paradeiro de Pezão.

Nesta quarta-feira, depois de investigações da 22ª DP (Penha) e 45ª DP (Alemão) sobre os ataques, a Polícia Civil prendeu 16 integrantes das quadrilhas do Alemão e da Penha, inclusive, dois acusados de participar diretamente dos ataques. Um deles, Elbert Luiz dos Santos, o Pinduca, é apontado pela polícia como o segundo homem na hierarquia do tráfico no Parque Proletário.

Baleada%2C a soldado Alda chegou a ser operada%2C mas não resistiuReprodução

Ele é o braço direito do atual chefe do pó na comunidade, Bruno Eduardo da Silva Procópio, o Piná — que comandou a reunião de criminosos ao lado de Pezão. Piná também foi procurado pela polícia durante a operação, mas não foi localizado.

Segundo as investigações, Vinícius Cruz de Macedo, também preso nesta quarta, participou do atentado à 45ª DP no dia 29 de janeiro. Na ocasião, a delegacia, a estação do teleférico de Itararé e a sede da UPP Nova Brasília, além de outros pontos da comunidade foram alvos de tiros e explosão de granada.

Alda tinha 27 anos e foi morta com um tiro na barriga, no Parque Proletário

Os nomes dos três acusados de atacar a UPP e matar a policial — dois homens e um menor — serão enviados pelas delegacias para a Divisão de Homicídios, que apura o caso. Eles estão foragidos. A soldado Alda tinha 27 anos e foi morta com um tiro que atingiu sua barriga. Ela estava num grupo de cinco policiais que fazia o patrulhamento na Praça São Lucas, dentro do Parque Proletário, quando os bandidos atacaram.

O soldado Marcelo Gilliard foi baleado na perna. Outros dois moradores também foram feridos. Cem agentes de cinco delegacias, com apoio de policiais das UPPs, percorreram as comunidades ontem para cumprir 24 mandados de prisão e três de busca e apreensão. O chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, disse que as prisões enfraquecem a facção.

“Fico feliz com o resultado de uma operação onde nenhum tiro sequer foi disparado. A celeridade das investigações foi possível, graças às informações colhidas por policiais militares”, concluiu.

Retaliação à presença da UPP

Além dos 16 presos, um menor foi apreendido. A polícia também recolheu drogas e armas. Outro criminoso procurado na operação foi Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D. Com o aval do líder Pezão, é ele quem comanda o tráfico ainda remanescente no Alemão. Antes de o conjunto de favelas ser ocupado por forças de segurança, 2D era o responsável pela contabilidade da quadrilha e tinha toda a confiança de Pezão. Tanto que foi escolhido pelo próprio para assumir o controle do tráfico, quando Pezão fugiu do Alemão.

Ainda de acordo com as investigações, o motivo dos ataques criminosos, seria uma retaliação aos policiais da UPP. “Depois da troca de comando, a UPP começou a combater o tráfico veementemente e isso estaria atrapalhando os ‘negócios’ da quadrilha”, afirmou o delegado Reginaldo Guilherme, da 22ª DP. 

Indagado se os policiais também eram alvo dos tiros, o titular da Delegacia da Penha explicou: “Eles fizeram uma gracinha, tentaram intimidar a Polícia Militar. O que mostra que o trabalho da polícia incomoda esses criminosos. Sem a UPP lá, isso seria quase impossível”.

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