UPP diz que jovem morto no São João trocou tiros com policiais

José Carlos Lopes Junior, 19 anos, foi atingido por um tiro de fuzil na cabeça. Pai do suspeito diz que ele foi executado

Por O Dia

Pai de José Carlos Júnior disse que o filho foi executadoAlexandre Vieira / Agência O Dia

Rio - A Unidade de Polícia Pacificadora do Morro São João informou, na manhã desta quinta-feira, que José Carlos Lopes Junior, de 19 anos, morreu após trocar tiros com policiais na comunidade. O jovem, que fazia aniversário no dia da sua morte, foi atingido na cabeça por um único tiro de fuzil disparado por um PM. Após o tiroteio, moradores fecharam a Rua Barão do Bom Retiro e incendiaram dois ônibus. Na manhã desta quinta-feira, o clima é de tranquilidade e o patrulhamento foi intensificado na região.

O pai da vítima, José Carlos Lopes, denunciou a ação dos militares e disse que o filho foi executado. “Mandaram meu filho ajoelhar e o assassinaram. Que polícia é essa? Por isso que sumiram com o Amarildo e não acontece nada”, disse, referindo-se ao auxiliar de pedreiro morto após sessão de tortura em julho, na Favela da Rocinha. Policiais ouvidos na ação negaram.

Segundo a UPP, os policiais receberam a informação de moradores de que haviam bandidos armados na localidade conhecida como escadaria da Bélgica, na região da Matinha. Ainda de acordo com o relato dos PMs, eles se dividiram e fizeram um cerco ao local, sendo recebidos a tiros por três criminosos. Um deles seria José Carlos Junior, conhecido como 'Furúnculo', que após ser atingido deixou cair a pistola que estaria em seu porte e foi levada pelos outros dois homens.

A unidade disse que os militares comunicaram a 25ª DP (Engenho Novo) da ocorrência e guardaram o local do crime, onde foi realizada uma perícia. Após a troca de tiros, foi pedido reforço para às UPPs da Mangueira, Macacos, Lins e Camarista Méier, que enviaram apoio.

O comandante da UPP São João, capitão Adelino, acompanhou toda a ocorrência, inclusive o trabalho da perícia. O Choque foi chamado para conter os moradores que protestavam na via principal do bairro e o Bope vasculhou a comunidade atrás dos criminosos. Ainda segundo a UPP, os policiais identificaram os dois criminosos que fugiram e registraram a ocorrência na delegacia.

Segundo a Polícia Civil, a arma do policial militar que efetuou o disparo foi apreendida e encaminhada à perícia para confronto balístico. Os militares envolvidos na ação prestaram depoimento na delegacia. José Carlos tem uma passagem pela polícia, quando menor de idade, por ato análogo ao crime de tráfico de drogas. Ele também tem uma anotação criminal por posse de drogas.

Policiais correm durante o tumulto na Rua Barão do Bom Retiro%2C ontem. Atrás deles%2C os veículos queimadosAlexandre Vieira / Agência O Dia

A Avenida Marechal Rondon também chegou a ser interditada. Os ônibus incendiados eram das linhas 638 (Saens Peña-Marechal Hermes) e 606 (Rodoviária-Engenho de Dentro). Um passageiro do 638 relatou que vários homens pediram que os usuários descessem e atearam fogo no veículo. Outras quatro lojas foram atingidas pelas chamas: um bar, uma oficina, um hortifrúti e um ferro-velho. Três menores foram apreendidos e um homem preso por participarem do incêndio dos ônibus na Rua Barão do Bom Retiro. Eles foram levados para a 25ª DP (Engenho Novo).

Moradores do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, que são vizinhos ao São João, relataram que ouviram muitos tiros vindos da parte alta da comunidade.

Três adolescentes e um maior envolvidos nos ataques a ônibus no Morro São João foram levados para a 25ª DP. Um adolescente foi autuado por ato análogo ao crime de dano ao patrimônio, e outros dois por crime de incêndio. Um maior foi preso em flagrante por crime de incêndio. Os adolescentes foram conduzidos para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

Últimas de Rio De Janeiro