Família de PM fuzilado acusa hospital de descaso

Soldado foi baleado na perna em ataque à UPP do Parque Proletário, no dia 2

Por O Dia

Rio - Familiares do soldado Marcelo Gilliard da Silva Miranda, de 32 anos, atingido há duas semanas por um tiro de fuzil na perna esquerda num ataque orquestrado por traficantes à base da UPP do Parque Proletário, na Penha, se queixam de descaso no atendimento. E temem até a perda do membro, caso ocorra alguma infecção hospitalar no local do ferimento.
Internado no Hospital Central da PM (HCPM), o soldado Gilliard ficou com um buraco na perna, que só será fechado depois da colocação de enxerto e de uma cirurgia plástica no local. Segundo a família, ele já foi submetido a sete sessões de limpeza no centro cirúrgico, o que agrava as dores.

Claudio Marcio Miranda, irmão de Gilliard, registrou uma queixa na ouvidoria do hospital, ontem de manhã. Ele disse que a cirurgia poderia ter sido feita há uma semana, conforme informação passada pelo setor de ortopedia. E acusou o hospital de descaso.
“O meu irmão pode pegar uma infecção e perder a perna a qualquer momento. Foi um ferimento em serviço e ele não está tendo tratamento adequado. Ninguém dá uma satisfação sobre a situação dele para a família. Ele é um soldado. Se fosse um oficial, a situação seria diferente”, criticou.

Procurado pelo DIA, na noite de segunda, o coronel Porto Carreiro, diretor do HCPM, disse que Gilliard ainda não está apto para ser submetido a uma cirurgia. Segundo ele, o soldado deve ser levado ao setor de cirurgia plástica até a próxima semana.

“Todo caso de um paciente que é vítima de tiro de fuzil gera comoção. Na maioria das vezes, o paciente perde o membro. Não foi o caso. O ortopedista achou que ele já estava liberado para fazer o enxerto, mas ele não é o especialista. O responsável pelo setor de curativos acha que ele precisa de mais uns dias, para que ocorra a granulação do tecido. É preciso esperar para que se formem pequenos vasos sanguíneos”, explicou.

Gilliard foi atingido quando estava no contêiner da UPP do Parque Proletário. No ataque, a soldado Alda Rafael Castilho, de 22 anos, foi baleada nas costas e morreu. Foi a segunda morte na mesma unidade. Em novembro, o soldado Melquizedeque Basílio dos Santos morreu ao ser baleado por traficantes.

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