Deputado denuncia exploração de adolescentes em empresa de telefonia

Seis rapazes e uma jovem de 19 anos trabalhavam sem contrato na venda de serviço, em condições abusivas , segundo parlamentar

Por O Dia

Rio - O deputado estadual Gilberto Palmares (PT) vistoriou nesta terça-feira um local de trabalho irregular de menores de idade, na Praça Tiradentes. Seis adolescentes e uma jovem de 19 anos faziam o serviço de telemarketing de vendas do Claro Fixo da Embratel, sem contrato, em uma sala de 15 m², sem banheiro ou janela e com lixo espalhado pelo chão. Guloseimas eram expostas em cima de uma estante e serviam como recompensa para cada venda (a caixa de bombons era a mais cara, para quem fizesse três vendas). Eles também não tinham fones de ouvido exigidos para o trabalho com telemarketing.

A jornada, de até oito horas, de segunda a sábado, incluindo alguns domingos e feriados, com 30 minutos de intervalo diários para almoçar, era feita por um salário de R$ 400, sem vale refeição, mais R$ 6 para a passagem. Mas o único adolescente que trabalhava há um mês no local disse que não recebeu. Segundo o jovem, de 16 anos, o chefe, Marcelo Cubas, que seria contratado de uma empresa terceirizada que presta serviços à Claro, a P.O.S Point, disse que o pagamento só viria na metade do próximo mês.

O deputado estadual Gilberto Palmares checa as condições de trabalho em empresa no Centro do RioAlessandro Costa / Agência O Dia

O deputado, que recebeu a denúncia, criticou a postura a Embratel e disse que vai pedir que a empresa se responsabilize por conseguir uma colocação no mercado para os jovens. “É irônico que uma empresa que gasta fortunas com propaganda explore trabalho, ainda mais de adolescentes. Vocês sabiam que o chefe de vocês é uma das pessoas mais ricas do mundo?”, dirigiu-se aos jovens, referindo-se ao megaempresário mexicano das telecomunicações Carlos Slim.

O procurador do Ministério Público do Trabalho João Carlos Guadalupe Couto disse que vai abrir inquérito. “Segundo a lei trabalhista, esses adolescentes não podem trabalhar por mais de seis horas, precisam ter intervalos depois de ligações, e não podem ganhar menos que o mínimo federal de R$ 724.”

Segundo a diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações, Virgínia Berriel, denúncias de exploração de adolescentes no telemarketing são recorrentes no estado. Uma comissão do Ministério do Trabalho foi até o local ontem à tarde para interditá-lo, mas ele estava trancado. A Claro informou que “respeita e cumpre rigorosamente a legislação trabalhista.” Cubas afirmou que foi orientado a não falar, e o sócio da P.O.S, Rafael Bigler, disse que não falaria com a imprensa.

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