Disputa leva terror à Rocinha

Polícia pedirá prisão de cinco envolvidos em tiroteios que vêm levando medo à comunidade

Por O Dia

Rio - Cinco envolvidos no tiroteio de sábado, que voltou a assustar moradores da Rocinha, terão as prisões pedidas pela polícia. Entre eles, está Luiz Carlos Jesus da Silva, o Djalma, um dos líderes do bando que disputa o território da comunidade para expandir a venda de drogas. Foi em uma das localidades onde a quadrilha do traficante atua, a Macega, que o comandante das UPPs, coronel Frederico Caldas, foi atingido no olho por estilhaço, no último domingo.

A guerra entre os dois grupos — motivos dos confrontos frequentes — dividiu a Rocinha em territórios distintos, onde os criminosos tentam voltar a se estabelecer. A fronteira entre os dois grupos é a Estrada da Gávea, principal via da comunidade e de alta circulação de moradores, comerciantes e de usuários de drogas que fomentam a disputa dos traficantes.

A guerra começou com um racha na facção Amigos dos Amigos (ADA), que controlava a venda de drogas desde a época em que a quadrilha era liderada por Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem. Com a prisão do chefão, Djalma se ressentiu por não assumir a sucessão do posto de chefe. As divergências foram tantas, que ele decidiu subir o morro e criar seu próprio bando, disputando palmo a palmo os locais de venda de drogas.

Procurado pela polícia por roubos, apesar de ser líder no tráfico, Djalma domina atualmente localidades do lado direito da estrada, como Roupa Suja, Portinha, Terreirão 199, Valão, Vila Vermelha e Beco do Máscara. A polícia investiga informações de que ele teria se aliado a quadrilhas mais enfraquecidas do Comando Vermelho, como do Morro do Borel, na Tijuca, para tentar aumentar a venda de entorpecentes e montar seu arsenal.

Do outro lado da briga, está Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, que ‘herdou’ a parte baixa, mas, segundo informações da polícia, já conseguiu subir e atualmente fica com as localidades à esquerda da estrada: Dioneia, Vila Verde, Portão Vermelho, Laboriaux e Parque Ecológico. Acusado de integrar bando que invadiu o Hotel Intercontinental em 2010 e manter 35 hóspedes reféns, Rogério chegou a ser preso e transferido para presídio federal em Rondônia naquele ano.

Moradores veem retrocesso

A disputa assusta moradores, que voltaram a conviver com tiroteios. “Há muito tempo não sabia o que era passar uma noite sem dormir, ouvindo tiros. Achava que, finalmente, estávamos em paz. Mas eles querem acabar com isso”, disse um porteiro, de 46 anos, morador da comunidade há 26. Outra moradora, dona de casa, disse que os traficantes tentam desafiar a polícia.

“Eles ficam vendendo nos becos e estão armados. Quando a polícia vem, tentam se esconder para não serem pegos. Mas alguns querem afrontar e batem de frente com os policiais”, contou ela, que pediu para não ser identificada.

Desde o fim de semana, a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, que tem efetivo de 700 policiais, recebeu reforço no patrulhamento de homens do Bope e dos batalhões de Ações com Cães e de Choque. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, não descarta a possibilidade de aumentar ainda mais o efetivo da UPP, com a formatura de novos PMs.

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