Pane nos sinais paralisa toda a cidade

Problema que atingiu pelo menos dez bairros e durou seis horas travou o trânsito pela manhã

Por O Dia

Rio - Diz o ditado popular: nada é tão ruim que não possa piorar. Pois o trânsito do Rio, que já estava travado desde segunda, devido ao fechamento do Mergulhão da Praça 15 e à mão dupla na Rio Branco, piorou. E muito. O motivo desta vez foi uma pane nos sinais de trânsito em pelo menos 10 bairros das zonas Sul e Norte, que durou cerca de seis horas e parou o tráfego em parte da cidade na manhã desta quinta-feira

A prefeitura informou que houve uma falha na comunicação do servidor do Centro de Operações Rio (COR) com 11 das 59 centrais que ficam instaladas em diversos bairros e que controlam os semáforos de cada região. Com isso, 18% das centrais não reverteram a programação de sinalização da madrugada para a manhã.

Com a Presidente Vargas parada%2C passageiros desembarcam dos ônibus e seguem a pé rumo ao trabalhoAlessandro Costa / Agência O Dia

O problema começou a ser sentido antes das 6h e só foi completamente resolvido às 11h45, segundo o COR. “Há uma série de vias e de trechos importantes que, nos horários de rush, são privilegiados, com maior tempo de sinal verde. Tem uma sincronia determinada que dá mais fluidez nos eixos principais, como a chegada ao Centro. No entanto, na manhã de ontem, isso não aconteceu”, explicou o chefe-executivo do COR, Pedro Junqueira.

Além da alteração no tempo do sinal verde, muitos semáforos ficaram piscando por toda a manhã. Entre os bairros com o problema estavam Méier, Benfica, Cachambi, São Cristóvão e Tijuca, na Zona Norte, e Lagoa, Jardim Botânico, Botafogo e Flamengo, na Zona Sul. Os reflexos no trânsito chegaram ao Centro, Zona Portuária, Avenida Brasil, congestionada desde o Jardim América, linhas Amarela e Vermelha, e Ponte Rio-Niterói. Em nota, no fim da tarde, a prefeitura informou que estava investigando as causas da pane.

O coordenador de TI Davi Nascimento, de 24 anos, desembarcou de um ônibus às 10h da manhã na Presidente Vargas, em frente à sede da prefeitura. “Eu desci aqui depois de quatro horas no trânsito. Vou ter que pegar o metrô da Cidade Nova até a Carioca, onde trabalho, para diminuir o meu atraso. Em condições normais, demoro 2h20 e na segunda-feira foram 3h. Esse foi o pior engarrafamento que eu peguei”, contou. A assistente social Sandra Pollo, de 43 anos, demorou 2h para cruzar a Ponte e a Francisco Bicalho, trajeto que faz em 40 minutos.

Quando o trânsito começava a fluir melhor, por volta do meio-dia, os servidores federais da saúde realizaram uma manifestação pelas ruas do Centro e chegaram a fechar a Rio Branco, piorando a situação. À noite, por volta das 19h, protesto contra o aumento da passagem fechou a Primeiro de Março e prejudicou a volta para casa.

‘Atletas’ fogem dos engarrafamentos

Driblar o trânsito e levar apenas 50 minutos de Niterói ao Rio em horário de rush e ainda curtir a viagem parecia uma tarefa impossível, mas o major Wolney Mello, de 40 anos, encontrou uma solução. O militar cruza todos os dias a Baía de Guanabara de caiaque para ir trabalhar, na Escola de Educação Física do Exército, na Urca, Zona Sul.

Morador de Niterói%2C o major Wolney Mello cruza a baía de caiaque para ir trabalhar na Urca%2C no Rio André Mourão / Agência O Dia

Segundo ele, a medida poupa duas horas diárias, que Mello aproveita para ficar com a filha Beatriz, de 6 meses. “Era um inferno ficar duas horas e meia no carro, ainda mais para mim, que sou hiperativo. Por isso, há dois meses, faço o trajeto de Charitas até a Urca de caiaque”, disse. Para o morador de Santa Teresa, Antônio Pessoa, 31, que estuda em Niterói, é hora das bicicletas substituírem os carros.

“Tenho carro, mas sou adepto da bicicleta para quase tudo. Esta semana então nem toquei no volante, não há condições. Pedalo de Santa Teresa até a Praça 15 e pego as barcas, o que facilita muito”, disse ele, acrescentando um apelo: “Está todo mundo se queixando do trânsito. É o melhor momento de aderirmos à ideia de ocupar as vias com as bikes e não com os carros. É o jeito de fugir do engarrafamento.”

Atual subsecretária vai comandar Transportes no governo Pezão

A partir de abril, a Secretaria de Transportes do Estado vai ficar sob o comando de uma mulher. Subsecretária de Julio Lopes, Tatiana Vaz Carius, 35 anos, é o oposto do atual chefe. Não tem padrinho político, é o chamado “quadro técnico” e sabe como funciona o complicado sistema de transportes fluminense.

Não é segredo que Julio Lopes (PP) foi mantido no cargo por ser afilhado político do senador Francisco Dornelles (PP-RJ). Não houve crise que o derrubasse, e ele só vai sair em abril, com o governador, porque vai se candidatar a deputado federal — Sérgio Cabral vai concorrer ao Senado. A escolha de Tatiana indica que o vice-governador Luiz Fernando Pezão aposta num novo estilo de gestão do setor responsável pelo inferno diário dos fluminenses. De quebra, Pezão manda recado para quem ainda não sabe como será seu jeito de governar.

Também presidente da Companhia de Transportes sobre Trilhos do Estado do Rio de Janeiro (Rio Trilhos), Tatiana sempre tinha os números e cifras na ponta da língua quando o governo ainda decidia sobre a compra dos trens chineses para o metrô. É advogada e descrita como uma mulher discreta. Há quem diga que seu estilo profissional lembra, de certa forma, o da ex-chefe da Casa Civil do governo Lula que acabou virando presidenta da República. Por falar em chefe da Casa Civil, Pezão também já escolheu o seu. Será o procurador Leonardo Espíndola.

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Pane nos sinais paralisa toda a cidade O Dia - Rio De Janeiro

Pane nos sinais paralisa toda a cidade

Problema que atingiu pelo menos dez bairros e durou seis horas travou o trânsito pela manhã

Por O Dia

Rio - Diz o ditado popular: nada é tão ruim que não possa piorar. Pois o trânsito do Rio, que já estava travado desde segunda, devido ao fechamento do Mergulhão da Praça 15 e à mão dupla na Rio Branco, piorou. E muito. O motivo desta vez foi uma pane nos sinais de trânsito em pelo menos 10 bairros das zonas Sul e Norte, que durou cerca de seis horas e parou o tráfego em parte da cidade na manhã desta quinta-feira

A prefeitura informou que houve uma falha na comunicação do servidor do Centro de Operações Rio (COR) com 11 das 59 centrais que ficam instaladas em diversos bairros e que controlam os semáforos de cada região. Com isso, 18% das centrais não reverteram a programação de sinalização da madrugada para a manhã.

Com a Presidente Vargas parada%2C passageiros desembarcam dos ônibus e seguem a pé rumo ao trabalhoAlessandro Costa / Agência O Dia

O problema começou a ser sentido antes das 6h e só foi completamente resolvido às 11h45, segundo o COR. “Há uma série de vias e de trechos importantes que, nos horários de rush, são privilegiados, com maior tempo de sinal verde. Tem uma sincronia determinada que dá mais fluidez nos eixos principais, como a chegada ao Centro. No entanto, na manhã de ontem, isso não aconteceu”, explicou o chefe-executivo do COR, Pedro Junqueira.

Além da alteração no tempo do sinal verde, muitos semáforos ficaram piscando por toda a manhã. Entre os bairros com o problema estavam Méier, Benfica, Cachambi, São Cristóvão e Tijuca, na Zona Norte, e Lagoa, Jardim Botânico, Botafogo e Flamengo, na Zona Sul. Os reflexos no trânsito chegaram ao Centro, Zona Portuária, Avenida Brasil, congestionada desde o Jardim América, linhas Amarela e Vermelha, e Ponte Rio-Niterói. Em nota, no fim da tarde, a prefeitura informou que estava investigando as causas da pane.

O coordenador de TI Davi Nascimento, de 24 anos, desembarcou de um ônibus às 10h da manhã na Presidente Vargas, em frente à sede da prefeitura. “Eu desci aqui depois de quatro horas no trânsito. Vou ter que pegar o metrô da Cidade Nova até a Carioca, onde trabalho, para diminuir o meu atraso. Em condições normais, demoro 2h20 e na segunda-feira foram 3h. Esse foi o pior engarrafamento que eu peguei”, contou. A assistente social Sandra Pollo, de 43 anos, demorou 2h para cruzar a Ponte e a Francisco Bicalho, trajeto que faz em 40 minutos.

Quando o trânsito começava a fluir melhor, por volta do meio-dia, os servidores federais da saúde realizaram uma manifestação pelas ruas do Centro e chegaram a fechar a Rio Branco, piorando a situação. À noite, por volta das 19h, protesto contra o aumento da passagem fechou a Primeiro de Março e prejudicou a volta para casa.

‘Atletas’ fogem dos engarrafamentos

Driblar o trânsito e levar apenas 50 minutos de Niterói ao Rio em horário de rush e ainda curtir a viagem parecia uma tarefa impossível, mas o major Wolney Mello, de 40 anos, encontrou uma solução. O militar cruza todos os dias a Baía de Guanabara de caiaque para ir trabalhar, na Escola de Educação Física do Exército, na Urca, Zona Sul.

Morador de Niterói%2C o major Wolney Mello cruza a baía de caiaque para ir trabalhar na Urca%2C no Rio André Mourão / Agência O Dia

Segundo ele, a medida poupa duas horas diárias, que Mello aproveita para ficar com a filha Beatriz, de 6 meses. “Era um inferno ficar duas horas e meia no carro, ainda mais para mim, que sou hiperativo. Por isso, há dois meses, faço o trajeto de Charitas até a Urca de caiaque”, disse. Para o morador de Santa Teresa, Antônio Pessoa, 31, que estuda em Niterói, é hora das bicicletas substituírem os carros.

“Tenho carro, mas sou adepto da bicicleta para quase tudo. Esta semana então nem toquei no volante, não há condições. Pedalo de Santa Teresa até a Praça 15 e pego as barcas, o que facilita muito”, disse ele, acrescentando um apelo: “Está todo mundo se queixando do trânsito. É o melhor momento de aderirmos à ideia de ocupar as vias com as bikes e não com os carros. É o jeito de fugir do engarrafamento.”

Atual subsecretária vai comandar Transportes no governo Pezão

A partir de abril, a Secretaria de Transportes do Estado vai ficar sob o comando de uma mulher. Subsecretária de Julio Lopes, Tatiana Vaz Carius, 35 anos, é o oposto do atual chefe. Não tem padrinho político, é o chamado “quadro técnico” e sabe como funciona o complicado sistema de transportes fluminense.

Não é segredo que Julio Lopes (PP) foi mantido no cargo por ser afilhado político do senador Francisco Dornelles (PP-RJ). Não houve crise que o derrubasse, e ele só vai sair em abril, com o governador, porque vai se candidatar a deputado federal — Sérgio Cabral vai concorrer ao Senado. A escolha de Tatiana indica que o vice-governador Luiz Fernando Pezão aposta num novo estilo de gestão do setor responsável pelo inferno diário dos fluminenses. De quebra, Pezão manda recado para quem ainda não sabe como será seu jeito de governar.

Também presidente da Companhia de Transportes sobre Trilhos do Estado do Rio de Janeiro (Rio Trilhos), Tatiana sempre tinha os números e cifras na ponta da língua quando o governo ainda decidia sobre a compra dos trens chineses para o metrô. É advogada e descrita como uma mulher discreta. Há quem diga que seu estilo profissional lembra, de certa forma, o da ex-chefe da Casa Civil do governo Lula que acabou virando presidenta da República. Por falar em chefe da Casa Civil, Pezão também já escolheu o seu. Será o procurador Leonardo Espíndola.

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