'Queremos prender os criminosos que tocam o terror na Rocinha', diz delegado

Polícia Civil realiza operação para cumprir diversos mandados de prisão na comunidade

Por O Dia

Rio - Agentes da Polícia Civil realizaram na manhã desta sexta-feira uma operação para cumprir 18 mandados de prisão e 23 de busca e apreensão na Favela da Rocinha, em São Conrado, e na Cruzada São Sebastião, no Leblon, ambas na Zona Sul do Rio. O objetivo era cumprir 18 mandados de prisão contra integrantes das duas quadrilhas que disputam a hegemonia do tráfico de drogas na comunidade.

>>>GALERIA: Polícia faz operação na Favela da Rocinha

Os principais alvos são Rogério Avelino Silva, o Rogério 157, que controla a parte baixa, e Luiz Carlos Jesus da Silva, o Djalma, a parte alta da região. Outros 23 mandados de busca e apreensão também foram expedidos pela Justiça.

Elcio Souza da Silva (camisa azul)e Alan Nascimento de Souza Reis foram presos durante ação na RocinhaSeverino Silva / Agência O Dia

Durante a operação, Alan Nascimento de Souza Reis, de 21, na Cruzada, e Elcio Souza da Silva, 43, na Rocinha, foram presos. Willian Robson Cabral, que já cumpria pena há dez dias, teve o mandado cumprido na cadeira. Eles vão responder por tráfico e associação ao tráfico.

Segundo o delegado Márcio Mendonça, titular da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), objetivo da operação é por fim à guerra entre os traficantes e dar uma resposta as ações criminosas. Uma delas, na semana passada, acabou ferindo o comandante das UPPs, coronel Frederico Caldas, a major Pricilla Azevedo e o capitão Flávio Cardoso, comandante e subcomandante da UPP da Rocinha, respectivamente, além do sargento Pinto. Eles foram surpreendidos por marginais quando realizavam um patrulhamento na localidade conhecida como Macega.

Agentes da Polícia Civil durante operação na Favela da RocinhaOsvaldo Praddo / Agência O Dia

"Muitas desses suspeitos atuam no tráfico. No entanto, quando eram abordadas e não havia provas contra elas, flagrante ou em atuação criminosos, acabavam tendo que ser liberadas, já que não havia mandado de prisão. Agora todos foram identificados e poderão ser presos. São pessoas importantes, como gerentes, e a maioria aqui da parte baixa. O objetivo é prender todos os criminosos que estão atuando e tocando o terror aqui na Rocinha", decretou o delegado da DCOD.

Os policiais entraram na Rocinha por volta das 6 horas. Com o apoio de um helicóptero blindado, eles atuaram principalmente na parte baixa da favela. Foram ouvidas explosões, mas não há relatos de troca de tiros ou feridos. De acordo com Marcio Mendonça, na parte inferior tem ocorrido os recentes confrontos entre as quadrilhas inimigas, e com a PM. Durante uma investigação que durou três meses, a polícia conseguiu identificar e reunir provas contra pelo menos 17 pessoas que participam das quadrilhas e que não tinham mandado de prisão expedido.

Operação é resultado de três meses de investigaçãoOsvaldo Praddo / Agência O Dia

Equipes da DCOD concentraram sua atuação durante a operação principalmente no Beco do Máscara. Segundo Márcio Mendonça, é nesta localidade onde os comparsas de Rogério 157 se concentram. O local é considerado estratégico pela quadrilha, já que dá acesso a pontos importantes da Rocinha, como as ruas 1, 3 e 4, Cachopa e Largo do Boiadeiro.

"Essa é só a primeira (operação). Estamos em reunião com a 11ª DP (Rocinha) para traçar estratégias e serão feitas outras operações como essa", decretou o delegado.

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